E tu acreditas, meu amor?

Meu Amor,

Sempre ouvi dizer aos mais velhos, aos mais crescidos, aos sábios da vida que: quem ama, acredita. Mas, há dias em que me questiono durante tempo indeterminado sobre isso. Em que acordo, penso em ti, paro para pensar e pergunto-me se tu acreditas. Por vezes sinto que é isso que te falta: a capacidade e vontade de acreditar.

Não apenas em mim, não apenas no que sinto por ti, não apenas no nosso amor; mas também em ti. Há dias em que me questiono se me amas, se sabes o que é amar, se aprendeste o significado desse mundo tão vasto e tão longo onde eu te dou e tu me dás. Onde há um pouco de ti que me preenche, que me completa, que me seduz, que me traz a felicidade que por vezes procuro loucamente por aí – em cada canto e esquina – e que por mais que procure não o consigo encontrar da mesma forma como o consigo imaginar.

Há dias em que te entregas e te dás: sem medos, sem preocupações, sem dúvidas, e é nesses dias que consegues fazer-me acreditar que afinal podemos estar em sintonia, percorremos o mesmo caminho, estamos nisto juntos.

O Amor é isso mesmo: um sentimento despreocupado, rebelde, extrovertido, que faz por não pensar no que sente e na maneira como sente. O Amor é louco e despropositado e não precisa de ser compreendido nem desmistificado. O Amor é isso mesmo: como o mar, vai e vem numa sucessão de ondas que faz balançar tudo aquilo que nos constrói. O Amor é a felicidade no seu estado mais puro, é a capacidade de captarmos o que de melhor irradia de nós. É darmos melhor de nós. É sermos o melhor de nós.

E há momentos em que sinto que esse amor existe em ti e te engrandece. O Amor que me conduz, que me rouba o sorriso, a melhor gargalhada, a corrida mais apressada do dia, o beijo mais forte, o abraço mais apertado. O Amor sem reticências e com poucos pontos finais, porque no amor nada acaba e tudo continua.

O teu amor cheira a Primavera, ao aroma fresco da terra pela manhã, ao perfume das flores quando o Sol brilha, tem os contornos do campo e os detalhes das nuvens. Tem tardes infinitas e noites longas.

Mas há dias em que o teu Amor esmorece e arrefece, acinzenta-se como um dia de chuva ou tempestade. A tristeza de ti paira e o vazio fica e as dúvidas invadem. O teu Amor pode ser incerto, imaturo, inseguro e inconstante, pode oferecer-me todas as dúvidas; mas é o teu Amor que me faz viver e acreditar. É fazendo parte dele que me sinto feliz. Gosto dele assim…

Há dias – naqueles dias em eu me custa mais a acreditar, em que me sinto entre as dúvidas e as certezas se o amor que nos une é mesmo forte, intenso, coeso e inabalável. E se tomei a decisão mais acertada em amar-te, lutar por ti e continuar ao teu lado – em que a única coisa que me lembro é de me questionar sobre uma coisa:

E tu acreditas, meu amor?

PORAna Ribeiro
FONTEEscreviver
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