E Se…

E Se…

Separadas não passam de palavras vulgares, mas juntas tornam-se uma das armas mais mortíferas do nosso pensamento.

Quantas de nós, depois de um dia extenuante, se despe de um sorriso e fecha os olhos pensando: “E Se; E Se; E Se.”

E Se eu me tivesse esforçado mais?

E Se eu fosse melhor amiga?

E Se eu fosse mais bonita?

E Se ele me amasse?

Por escassos momentos a minha mente recua e deixa-se vaguear por recordações que à muito não fazem sentido.

Fomos passageiros no mundo do amor, turistas que não aproveitaram o que o destino lhes ofereceu e recuaram perante o mais ínfimo obstáculo, E SE não tivéssemos sido cobardes?

Tudo o que queria para mim habitava em ti.

Construí o meu amor em volta de um pilar em ruínas, o efeito foi desastroso e os danos colaterais dolorosos demais.

Partiste e deixaste-me entregue a uma dor amarga.

Voltaste e agora apenas vislumbro um estranho de olhos doces, possuindo uns lábios de açúcar recheados de caramelo.

Lábios que me foram negados.

Sonho com a minha boca bailando na tua, as minhas mãos nos teus cabelos, a tua respiração quente no meu pescoço, algo que como sabes, me provocaria um risinho abafado.

Boca sobre boca, mãos enlaçadas e corações batendo descompassados tornando ambas as respirações ofegantes.

Riríamos um do outro, com sorrisos parvos e aí saberíamos que pertencíamos exatamente ao local onde estávamos.

E quando olhássemos as estrelas, o teu aroma quente encheria os céus, assim como o perfume dos meus cabelos, estes misturar-se-iam e as estrelas formariam constelações com os nossos nomes.

Estes por sua vez ficariam juntos no escuro e frio infinito.

Mas cá estou eu, perdida em “E Se” e devaneio ridículos, sabendo que as ilusões não passam de isso mesmo.

Não quero perder a razão, mas se os mestres se intitulam de tal, decerto ensinam que quem ama não se permite pensar.

O amor é espontâneo e sentido.

O meu desejo é estar numa praia deserta. Deitar-me no teu peito e permitir que a respiração ondulante do mar coincida com as nossas.

A hora de me entregar ás trevas está próxima, como sempre és a última pessoa em que penso.

A minha vida virou do avesso e não sei como colocá-la nos eixos.

E Se tudo isto fosse verdade, a caneta à muito que repousaria na tua cabeceira.

Por fim, o que acaba por nos fazer feliz dói como tudo.

PORSofia Sousa
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