E então, dizes que vieste para ficar!

Tropecei em mentiras constantes durante toda a minha vida. Fui traída e humilhada, fui negada e rejeitada. Partiram-me o coração tantas vezes que julguei não ser possível a sua reconstrução.

Apareceste por mero acaso, e foi o acaso mais certo que poderia haver. Nada nos unia, nada nos ligava. Eras uma pessoa estranha no meu mundo e eu nunca convivi bem com coisas novas.

Deixei-me levar pelo teu ar de quem tem o mundo a seus pés, a tua pouca consciência sobre esse facto tornava-te uma espécie rara nesta sociedade que usa e abusa do poder de sedução. Tu seduziste-me, sem sequer me olhar. Havia algo na forma como sorrias, na forma como penteavas repetidamente o teu cabelo negro. Havia algo no teu olhar que me dava livre-trânsito para o mundo que existia por trás desses dois diamantes.

Não consigo identificar com precisão o momento em que deixei de ser minha e passei a ser tua, não consigo confirmar se me tornei tua no momento em que os nossos lábios se tocaram ou se já era tua muito antes de saber que te queria. A verdade é que fiquei tua, escondi-me nos becos dos teus defeitos e tu deixaste-me liberta dos meus medos.

Agora beijo-te todas as noites, adormeço enrolada no teu corpo e acordo ao som da tua voz. Dizes que me amas e confortas-me a alma, sabes?

Sou vítima desse teu ar arrebatador que me prende a cada segundo. Entreguei-te os pedaços do meu coração, receando que tu (nesse teu jeito desajeitado) os deixasses cair e perdesses todas as peças frágeis. Mas guardaste as peças junto a ti, prometeste-me que ias colar cada pedaço do meu coração e que nunca mais iria sentir que ele não tinha conserto.

Não acreditei em ti, ainda hoje não acredito em ti. Mas sou vítima do pecado que és tu. E não tenho medo de ser julgada e rotulada de pecaminosa. De todos os pecados, tu és o meu preferido.


PELA WEB

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