E do nada… só via lembranças!

No momento em que sofresse acreditaria que o relógio parava, que o mundo parava, que tudo parava, parava no tempo, parava em lágrimas e em recordações, mas na verdade quando olhava continuava o ponteiro, continuava o mundo, continuava a solidão, tudo continuava.

O inverno terminava, a primavera terminava e o verão começava, mas para mim era como se o tempo tivesse parado, era como se me lembrasse todos os dias daquele sorriso, todos os dias me mantinha viva aquele olhar, não via mas o sentia, era algo ridículo para as outras pessoas, mas aconchegava-me o coração, a alma, fazia-me acreditar que onde quer que estivesse eu via, e foi assim durante anos…

Tinha esperança que a campainha tocasse e que de algum momento aparecesse, mas nada, era tudo ilusão, era tudo fantasia, era um desejo sem fim… Um desejo, uma saudade, um momento, em que acreditaria que seria para sempre, que seria tudo prefeito, era intenso o que faria para as coisas não darem? Nada, tinha tudo para dar na minha opinião, as nossas mãos cruzavam-se, os nossos olhares, os beijos, até o nosso corpo enrolado num amor sem fim, no prazer sem fim, era mágico era como se mais nada existisse, como se o mundo fosse tu e eu!

E do nada só via lembranças, só sentia o cheiro que cada dia que passava se ia deixando, só via imagens que cada dia que passava seriam mais escuras, só sentia lágrimas, anos, anos e mais anos, tentei, juro que tentei, mas nada seria como tu, nada se completava tão bem como tu e eu, que simplesmente deixou de existir, que simplesmente acabou, porque foste embora e apenas me deixaste ficando com a tua vida, com o teu mar, como se eu não fosse mais nada, até um dia deixaste de me dizer algo, de me olhar, de me procurar.

PORCatia Santos
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