É assim!?

Gostas, não gostas?

Gostas de te enganar, de te iludir, de mentir a ti própria, não é?

Passas a vida a fazer isso, a mentir-te.

Quando gostas tanto de uma peça de roupa, mas depois vês o preço – é cara – e decides convencer-te de que, afinal, até nem gostas assim tanto, encontrarás algo muito mais bonito (e mais barato) .

Quando tiras uma nota que sabes que é má, mas comparas-te com X e Y que ainda tiraram pior nota e decides convencer-te de que a tua nota até é aceitável.

Gostas assim tanto de te enganar? De te desviares da realidade?

Compreendo, a realidade não é como tu queres, por isso, iludes-te. Oxalá continues iludida, porque a realidade dói e se um dia a confrontares e perderes, vai doer ainda mais, acredita.

Continua a convencer-te de que não gostas das roupas caras, continua a convencer-te de que as tuas notas más até nem são assim tão más, continua a convencer-te de que não estás perdidamente apaixonada por aquele rapaz que conheceste há uns meses. Sim, essa pessoa que não sai do teu pensamento, que te irrita porque não consegues parar de pensar nela e, quando passas um dia sem pensar nela, sonhas com ela à noite. Mas continua a pensar que isso não é nada. Que ele não mexe contigo. Que não é ele que te impele para a escrita de textos sobre o amor e o desamor.

Se é mesmo isso que queres, então, continua.

Até quando conseguirás enganar-te?, não sei, mas espero que o consigas para sempre, ou, pelo menos, até ao dia em que ele pare de ter influência sobre ti, porque tu dizes que não sentes nada, que ele não significa nada, contudo, é mentira e tu sabes que é mentira, mas, ainda assim, queres convencer-te de que é verdade. Será que consegues?, pergunto. Mas não respondas, pois ambas sabemos que não sabes a resposta.

Continua assim enquanto conseguires, enquanto achares que é a forma ideal de não sofreres, de não ficares triste e desiludida, outra vez, por causa de um rapaz.

Por esta altura, já estarás certamente arrependida de te teres atirado de cabeça, mas sabes que te irias arrepender se não o tivesses feito, não sabes? É sempre assim. Arrependeste quando não fazes as coisas e também quando as fazes.

Boa sorte para ti nos próximos tempos, Sim!, esses tempos em que irás continuar a fazer um enorme esforço por te convenceres de que o teu coração está livre como um pássaro, capaz de amar a primeira pessoa que se cruzar contigo, assim, como se não estivesses a morrer de amores por aquele que te fez um só mimo no coração e foi embora, com a maior das facilidades, cagando para o amor e para os afetos.

Boa sorte, porque, minha amiga, vais precisar!


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