É altura de deixar para trás…

Lembraste quando me mostraste aquela frase do Bob Marley que diz que a maior covardia de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la?

Pois bem, naquele momento chamei-te covarde, mas num tom baixinho quase inaudível. E no meu interior gritei: por favor,  deixa de ser covarde e ama-me como eu amo-te a ti. E a cada dia que passava aquele sentimento só crescia e crescia cada vez mais. Como uma gota num oceano não me vias, hoje sei disso. Não podias ver-me porque não fui nada para quem eu queria ter sido tudo.

Eu via-te com os olhos, mas percebia-te com o coração. Pobre coração idiota, não foi capaz de perceber que não era uma relação do tipo “quanto mais me bates mais gosto de ti”. Não foi capaz de perceber que uma partida sem despedida afinal tinha o seu próprio significado. Pobre coração que não conseguiu perceber que era invisível e ainda assim teve a capacidade de amar.

E com tudo isso, o idiota não se deixou ficar por ali. Convenceu a própria razão de que deviam colorir as memórias juntos. E juntos mergulharam num abismo de ilusões criadas para preencher o vazio de um amor unilateral. E aquela música da Adele “someone like you”? Quantas vezes acordei sobressaltada chorando e a pensar que nunca iria encontrar alguém como tu ? Ou pior ainda quando tinha a certeza de que não queria encontrar alguém como tu, não te queria esquecer! E de tão poucas certezas que tive foi precisamente essa que acertei. Não encontrei alguém como tu, nem pude esquecer-me de ti.

Porém, a dada altura o coitado gritou: “chega!”
Ferido e, completamente, despedaçado implorou por perdão: perdão por todas as vezes que foram “não” e ele percebeu “sim”. Perdão por arrombar janelas quando a porta principal estava aberta. Perdão por cada sonho que interpretou como um sinal de esperança. Perdão por olhar para cada rosto e desejar ver-te a ti. Perdão por ter qualquer sorriso mas desejar apenas o teu. Pedra a pedra construí muros e fortalezas,  quis resguardar-me das dores e mágoas e fi-lo tão bem que ninguém conseguiu derrubá-los. Hoje pergunto-me: sofre mais quem se dá ao luxo de amar ou quem se priva desse direito natural?

Reconheces que é altura de deixar para trás quando o coração não é capaz de abrigar-se de uma chuva miúda mesmo depois de ter enfrentado tantas tempestades. Percebes que é altura de deixar para trás quando o coração cansa de mendigar por um amor que não é o seu.

Uma vez li que amar é criar um universo paralelo no coração e nele ser igualmente amado e com todas as memórias coloridas consegui que de facto me amasses.  Construí um universo paralelo para corrigir erros e apagar os meus arrependimentos mas deixei-me arrastar para um abismo e de olhos fechados saltei para um poço de falta de amor próprio. Eu parei no tempo e a vida continuou ainda que eu não a tenha visto.

O tempo não parou nem um único segundo desde que te foste. O tempo não sente piedade de quem não fez o que devia no momento certo. Tanto tempo passou, tanto tempo se foi e só agora é que vejo que já não era amor por ti. Era medo de perder-me a mim mesma. Já não era amor, não podia ser.

PORCarla Amaro
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