Dou por mim…

Permanecemos distantes e ainda assim te sinto perto de mim. Como se o calor dos teus braços envolvesse o meu corpo num abraço apertado, e a tua mélica voz me murmurasse as mais sublimes promessas de amor. Cativas-me, e eu já não consigo contestar isso.

Todos os dias eu tento, distrair a tua ausência, mas ela faz-se sentir cada vez mais onde devia estar a tua presença. E eu não aguento continuar a ter-te distante de mim. Dou por mim à procura do teu fascinante sorriso por entre as multidões, mesmo prevendo que jamais o encontraria ai, porque tens um sorriso que não encontro em mais ninguém. Dou por mim a redigir encantadoras cartas, em folhas ténues e beges, com um beijo marcado a batom no fim de todas elas, e guardo-as.

Deparo-me com uma fotografia, e por intermináveis ápices nos imagino-nos lá.

Era o primeiro dia de primavera. E ela enlaçava cada raio resplandecente que caía do céu e aquecia os nossos espíritos com uma aragem gelada que nos fazia rodopiar com as flores que povoam as melancólicas árvores. Elas caíam até nós e envolvíamos numa agitação interminável ao timbre de uma elementar aragem, uma aragem de primavera abarrotada de felicidade, esperança e persistência.

Prosseguíamos, caminhando apaixonadamente, lado a lado, sentindo a ternura da tua mão aconchegada na suavidade da minha, enquanto deslumbrávamos serenamente a essência em nosso redor. O teu ombro esquerdo, robusto e amplo, suportava delicadamente o meu cabelo, e tu cuidadosamente te amparavas sobre ele, como se tivéssemos deitados um sobre o outro no teu ombro. Eramos o pilar um do outro. Enquanto estava apoiada no teu ombro, sinto o aroma incomparável do teu perfume, sinto o calor que foge do teu corpo e me faz querer estar cada vez mais junto a ti. Conseguia sentir o teu coração a bater depressa.

E tu desapareces lentamente, entre a vontade de te ter e a distância que nos separa.