Dois cafés e uma alma, se faz favor

Ela vira-se para mim com uma cara séria e de quem vai falar com conhecimento de causa. “Nota-se que ali eras mais feliz, estavas mais gordinha, com um ar mais leve e tranquilo, com um brilho especial”.

Meio sem jeito fiquei, embora ela pudesse ver tudo pelo meu olhar, alguém que presenciou tudo, que soube de tudo. Ela sabe o que ando a suprimir e o que não quero trazer à tona, olhou para mim e apenas me perguntou “porquê? Do que tens medo?”

Bela pergunta não sei, nunca me vi numa situação assim. “Vi não podes apenas lidar com isto tudo, sentes falta dele diz, queres saber como ele está pergunta, não sufoques. Do que tens tu medo?”. Olho para ela com lágrimas quase a cair, mas não podia chorar ali, sentia-me tão exposta. “Vá não chores, eu sei. E vai ficar tudo bem e eu estou aqui”.

Por uns instantes fui puxada para uma outra cena, para um outro abraço num sussurro ouço a tua voz “Do que tens tu medo amor? Eu estou aqui, sempre estarei. Vais ficar bem” e como uma brisa de vento sinto o teu toque, o teu cheiro… Até que sou forçada a voltar para a realidade, estou apenas sentada naquela mesa de café com ela à minha frente e sem ti.

Ela volta-se para mim e diz que sente que isto não acabou por aqui, coisa que loucos, sinto a necessidade de lhe dizer que sim acabou, não me posso dar ao luxo de abrir a gaveta da esperança outra vez, de abertamente o amar, não desta vez… Já recuperei de mais para voltar para trás.

Ela entende mas não percebe porque nada faço, se apenas meto um sorriso na cara e deixo as coisas simplesmente assim. Apenas lhe digo “sabes bem que sinto saudades, Mas não posso nem consigo.” Ela apenas me olha e diz “Do que tens medo? O que tens a perder?”.

E ficamos ali, ela a olhar para mim enquanto fuma o seu cigarro e eu a olhar para o nada sem saber do que realmente tenho medo…

PORVitória M
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