O difícil não é perdoar, mas sim esquecer.

Pedi-te que não me mentisses e que não me traísses. Justifica-se porque é que foste sempre despedido dos restaurantes: não tens grande jeito para memorizar pedidos.
Fiz questão de me convencer a mim mesma de que errar era humano e que por isso te devia perdoar, as vezes que fossem necessárias até que aprendesses a fazer o correcto. Quantas vezes foram precisas até aprenderes a fazer o correcto? Não sei, desisti antes de chegar a uma conclusão.

Perdoei-te tudo, sabes disso, não sabes? Dei-te novas oportunidades muito antes de cometeres o erro, já te previa os passos. E tu vinhas sempre com aquele abraço e aquele olhar, derretias-me o coração, como poderia eu negar-te um pedido de desculpas? Claro que não me querias ter traído na minha cama. Claro que não querias ter-me mentido quando pensei que estavas em casa mas afinal estavas a embebedar-te com os teus amigos. Claro que não querias ter-me magoado de todas as formas que conseguiste. Claro que não.

O pior do amor é que nos torna cegos e tudo aquilo que é bastante óbvio aos olhos dos outros, não o é para quem ama. Amava-te tanto a ti e tão pouco a mim, é triste, não é?

Bem sei que existem erros que nunca deveriam ser perdoados, diz-me lá quantos desses eu te perdoei. Por muito grave que fosse o teu erro, havia sempre uma desculpa perfeita, que chegava sempre no momento certo e à qual eu me incumbia de fornecer algum tipo de sentido lógico.

Eu protegia-te dos teus erros, acho mesmo que eu chegava ao ponto de te fornecer dicas que poderias utilizar nas tuas desculpas. No fundo eu só queria que te conseguisses desculpar, para que eu te perdoasse. E perdoei. O difícil no amor não é perdoar, é esquecer.

Perdoei-te todos os dias algum tipo de traição. Mas não esqueci, nunca. E as memórias de cada um dos teus erros assombravam a minha mente a cada segundo. Tornou-se cada vez mais difícil arranjar desculpas que cobrissem as tuas falhas, que não eram falhas, mas eu tentava denominá-las assim para que fosse mais fácil perdoar.

Quanto tempo é suposto alguém aguentar a tortura da ausência de esquecimento?
Nunca me foi difícil perdoar-te, sabes? Mas tornou-se impossível perdoar-me a mim. E isso, eu não te perdoo.
Ainda hoje sou assombrada pelos teus erros e pelas tuas falhas, mas dou por mim a perdoar-me e a esquecer-te.

Perdoei-me por te ter perdoado, mas não me esqueço de te esquecer.