Despeço-me de ti…

Mais uma viagem, outra deslocação até ao aeroporto. Mas desta vez, não vou buscar nenhum familiar, nenhum amigo de infância que volta para perto de mim, mas sim ver-te partir, sabendo que nos próximos três anos o teu retorno será apenas pontual, não vai ser a mesma coisa, e isto doí-me tanto a mim como a ti, amor, acredita.

Pois a dor de uma despedida, ainda que breve, é sempre pior para aquele que fica do que para quem se vai embora. Mas compreendo-te, entendo-te e respeito-te. O mundo é enorme, temos todo o futuro à nossa frente, mas nunca arriscamos, com o medo da rejeição, com aquele receio de sermos levados a acreditar num sonho que se desmorona diante dos nossos olhos.

Mas tu não. Não desististe à primeira adversidade, e lançaste-te de braços abertos para o mundo, e eis que ali está ele, à espera para te abraçar. Não nego, nem te vou mentir, mas sim confesso-te abertamente que não fazes ideia da dor que senti quando me contaste que iria atravessar o mundo em busca do teu sonho. Fiquei feliz, contente pelo teu futuro, mas sempre imaginei que eu faria parte dele. É por isso que te disse, naquela altura, quando esperaste lá em baixo por mim, com aquele teu casaco quentinho que tantas vezes passou para os meus braços, de luvas na mão, à espera que eu descesse: eu espero por ti. E digo-te, novamente, uma e outra vez, que planeio esperar todos os dias que estiveres longe de mim, se estiveres disposto a fazer o mesmo.

E ali estás tu, de mala na mão e mochila pendurada às costas, a fazer o teu check-in, e eu do outro lado da cancela, entre os teus pais que se olham mutuamente, e tens aquela expressão de criança travessa no rosto pela qual me apaixonei quase à primeira vista. Acenas-me e sorris-me, mas vejo-te nos olhos que trocavas essa mala por me ter ao teu lado, e eu amo-te por isso, a juntar aos milhares de motivos que me fazem querer sorrir pela manhã. Aceno-te e retribuo o teu sorriso, tento não chorar mas as lágrimas abatem-se no meu espírito e passam-me para os olhos. Avanças, mas nego-te isso com a cabeça. Não, não me abraces, senão não vou ser capaz de deixar-te ir. Vá, vai lá. Ama-me de longe, assim como me amaste de perto.

PORAna Laura
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