Desespero!

Matar-me-ia se tivesse algo com que me matar, neste preciso momento. Não porque sou louca ou algo louco se está a apoderar de mim, mas sim, pelo facto de já não saber quem sou e de me questionar em diversas ocasiões o porquê de continuar a respirar, a fazer com que viva num mundo tão cruel.Se calhar sou eu que faço dele isso e, em vez de me caracterizar, reservo todos esses adjetivos para ele.

Matar-me ia se tivesse algo com que me matar. Quem sou eu se já não me sinto? Tento clarificar as minhas ideias e respostas e acabo por me resumir a só uma: sou uma inútil. Para quê esforçar-me à procura do impossível se nem o possível alcanço? Nos meus pensamentos sou uma solitária, apenas eu me percebo, ou apenas eu me tento perceber. Estou sem utilidade e de mim já nada utilizo. Adormeço para viver um sonho, porque quando acordo encontro-me no pesadelo.

Matar-me-ia se tivesse algo com que me matar. Nem sei qual é a razão de viver, talvez seja isto, ou talvez, seja morrer. Viver para morrer? É como se o meu esforço fosse nada porque a morte é um nada que se aproxima a cada dia que me encontro viva.

Se morro para nada, então mato-me já!

Matar-me-ia se tivesse algo com que me matar. Acho que perdi a noção do que pensar, de como agir. Nestes dias de sufoco já nada me proporciona felicidade, nem mesmo o que considero(ava) o melhor do meu eu para trazer o melhor de tantos nós, no qual eu estava inserida.

Matar-me-ia se tivesse algo com que me matar.

Mata-me se eu te pedir, se desejar tanto como nunca imaginei querer.

Mata-me se quiseres, querendo (eu) ou não que o faças.

PORMariana F.
Partilhar é cuidar!