Desculpa…


“Desculpa não te ter dado atenção. Desculpa não ter falado contigo sempre que me procuravas. Desculpa não ter estado lá quando precisavas de mim. Desculpa não ter sido o melhor namorado do mundo.

Desculpa se as minhas desculpas já não fazem sentido. Desculpa por todas as vezes em que errei e não pedi desculpa. Desculpa por todas as vezes em que saí de casa sem o teu beijo. Desculpa se não senti a tua falta sempre que sentias a minha. Desculpa por ter alimentado algo que desde logo sabia não ter pernas para andar.

Desculpa não te ter pedido desculpa mais cedo, mas sei que entendes. E sei que um pedido de desculpas é capaz de sarar muitas feridas. Desculpa se te magoei. Ou melhor, desculpa por todas as vezes em que te magoei.”

Acabei de ler o bilhete que me deixaste na mesinha de cabeceira, onde tantas vezes colocavas o tabuleiro com o meu pequeno-almoço. Escreveste-o à pressa, não foi? Tinhas medo que eu acordasse e não te deixasse ir embora, mais uma vez. Há quanto tempo tens vontade de me cobrir com desculpas?

Não precisas de me pedir desculpa. Não agora. Não depois de ter secado as minhas lágrimas. Não depois de me ter convencido que eu sou melhor sem ti. Não depois de me ter sacrificado, todos os dias, por ti e, mesmo assim, continuares mais distante do que a lua está do mar. E não depois de perceber que eu amava pelos dois.

Mas deixei-te ficar. E agora era eu quem deveria pedir desculpa. Mas vou deixar isso para depois, quando voltares. Sim, eu sei que, um dia, vais voltar. Vais voltar cheio de saudades de me agarrar e dizer que sou tua, saudades dos meus lábios, das minhas mãos, do meu cheiro e até das vezes em que discutia contigo. Sabes porquê?

No dia em que me encheste de desculpas, ainda que em forma de papel, eu percebi que tinhas mudado. Não a tua forma de ser, mas o que eu representava para ti. Saíste da minha vida, não porque estivesses farto de mim e de nós, mas porque tiveste medo que, depois de tanto tempo, já fosse tarde. Já fosse tarde o teu arrependimento, a tua saudade, o teu amor. E sabes, tens razão.

Nunca é tarde para um pedido de desculpas. Mas, por favor, não me peças mais nada. Sim, é tarde.

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