(des-pedidas)

“Esquece o que queres,  lembra-te do que mereces!”

Esta frase ecoou em mim como um grito numa superfície vazia. E remoeu. Talvez não seria este o efeito esperado de quem a disse, mas a verdade é que me fez pensar, e decidi (acho que pela primeira vez) viver a minha vida sem ti. Tomei esta decisão no dia em que percebi que a minha presença na tua vida era um tanto faz. Não vou negar: é difícil. Como se me arrancassem bocados. Como se tudo não fizesse mais tanto sentido e não fosse muito além da rotina, como se fosse mais uma cabeça no meio da multidão. Não que muito tenha mudado, mas quando por cá estavas, poderia até ser na mesma  mais uma cabeça, mas era uma cabeça especial… Porque TU me fazias assim.

E agora… Agora um bocado de mim ocupa-se por ler e não responder. Ouvir vezes sem conta gravações com a tua voz, esperar que sintas a minha falta e mesmo assim, depois disso, te ignorar, te deixar para trás,  fazer de conta que te esqueci. Deixar-te pensar que estou bem, que há outras pessoas quando isso não é, em nada, verdade. Já quase te respondi, já quase fraquejei… mas decidi fiar-me sempre pelo quase.

Afastei-me para perceber a falta que te faço. Será que pensas em mim, como eu penso em ti? Tantas vezes ao dia?! Pergunto-me o que estejas a fazer agora…

Na verdade, com tudo isto descobri que consigo viver sem ti: olha, continuo a respirar,  embora a vontade de comer ou de dormir não sejam imensas. Vejo-te em sonhos e isso faz-me sentir-te mais presente. Viver sem ti é um bocado isto… Dar seguimento a uma rotina de vida diária, sem qualquer tipo de força extrínseca que te faça sentir ou querer ser melhor.  De tudo,  o que mais falta me faz é cuidar de ti: saber se comes direito, se andas a dormir bem e se não tens dores.  Às vezes, só o facto de te olhar,  ao fim do dia, a dormir já era suficiente para sentir que tudo, de alguma maneira,  tinha sentido. O teu toque e a forma como me agarravas… Parava o tempo para ficar dentro de um abraço teu. Mas o que quero… O que quero pouco ou nada importa agora… E para esta dor no peito, não há analgésico que seja eficaz: vai continuar a doer, a pulsar, a brilhar. Estou a morrer de saudades tuas, sinto a minha alma se desvanecer a cada dia que passa, eu sinto a tua falta.  Mas…  É o melhor pra ti. Pode parecer um eufemismo, mas é o que sinto. Não me sinto eu, sinto-me estranha no meu próprio corpo. Mas antes me doa a mim. Antes sinta tudo eu… E que tu estejas bem e mantenhas esse sorriso lindo que tanto gostava de ver, principalmente depois de te fazer cócegas…

E de entre tudo, olha, desculpa: por te amar como ninguém te amou,  por te mostrar o melhor que o amor te pode dar,  por te fazer sentir especial, único. Por cuidar de ti. Por não ter sido melhor, por não lutar mais, por não corresponder às tuas expectativas…  Por, principalmente, te querer ao meu lado, tanto para o bem como para o mal… Por te dar força, por acreditar em ti quando toda a gente duvidava. Desculpa-me, por te ter amado, como um dia esperei que me amasses.

E, no pouco tempo que me resta, dizer-te que deves ir atrás do que queres, porque às vezes, esperamos respostas vindas pelo tempo e ele só nos trás perdas. E secalhar, uma vez que ainda é das poucas coisas verdadeiras que sinto, dizer-te que te amo, como nunca amei ninguém e que sempre foste a melhor parte de mim. Um beijo

PORCláudia Sofia
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