Deixa-me cuidar da melhor parte de mim, tu!

Hoje, volto a escrever-te. Já não o fazia há bastante tempo. Bastante, mesmo. Não porque tivesses deixado de ser a minha maior inspiração, mas talvez por ter achado que podia seguir sem o arrepio que me provocavas sempre que a minha mente te trazia até mim. Às vezes, aquilo que eu acho é um perfeito disparate. E este foi um deles.

Hoje, volto a pôr em palavras aquilo que me fazes sentir. Não sei se é amor. Mas se não é amor, é o sentimento mais próximo que dele existe.

Depois de tanto tempo à espera que o tempo curasse o vazio da tua falta, percebi que, tentar esquecer-te, foi outro dos meus disparates. Como é que se esquece alguém que nos provoca as gargalhadas mais barulhentas, os sorrisos mais sinceros e os olhares mais transparentes? Como é que se esquece alguém que nos tira os pés do chão e voa ao nosso lado? Como é que se esquece alguém que, apesar de não ser teu, é parte de ti?

Eu, não sei. Não sei, nem quero saber. Prefiro ter-te comigo. Prefiro sentir-me viva e só tu consegues que assim seja.

Só tu me fazes sentir borboletas na barriga cada vez que oiço o teu nome. Cada vez que o cheiro do teu perfume me invade as narinas. E quando me engasgo com as palavras? Ah, aí é que são elas. Mas já nem tento disfarçar. Tu sabes, eu sei. Para quê complicar?

Não te peço jantares no melhor restaurante da cidade, nem prendas todas as semanas. Peço-te antes beijos, disputas de almofadas e guerras de pipocas, umas festinhas no cabelo de vez em quando, um passeio à beira-mar, um segredo ao ouvido e umas simples torradas com tulicreme. E peço-te que me deixes fazer-te feliz, sem reservas. Porque ser o motivo da tua felicidade, supera qualquer sonho que alguma vez possa ter tido.

Deixa-me cuidar da melhor parte de mim, tu.