De sonho a pesadelo (que preciso)

“Se tu me ouvires, consegues acalmar o meu estado de espírito? Sim, apesar de tudo, estou aqui a pedir que sejas tu a acalmar-me. Não gostei do que vi, ouvi e senti. Mas foste tudo para mim durante imenso tempo. Tempo de mais talvez. Preciso de um porto seguro, de quem me compreenda e saiba como funciona o meu ser mais obscuro, pois é lá que vive o meu medo…de viver sozinha.

Nunca irei perceber o que te levou a destruír tudo o que, juntos, contruímos. Juro que não. Segundo o que me disseste, eu era a única rapariga que te fizera amar alguém. E ela? O que te fez ela sentir? Amor em tão pouco tempo? Ou talvez a melhor pergunta a fazer seja: o que deixei eu de te fazer sentir?

Antes de surgires na minha vida eu era tudo o que não sou hoje. Apesar de te amar muito, a verdade é que antes disso eu estava bem sozinha. Elevada auto-estima, confiança, sonhos (nos quais eu acreditava a 100%). Depois fizeste-me sentir que só tu eras o meu sonho, pois o meu sentimento por ti preenchia o meu peito, sendo difícil respirar. Não pensei que um dia, se te fosses embora, iria sentir-me vazia. Somente a minha pessoa, sem os meus (verdadeiros) sonhos.

Aquele cheiro, aquele momento, aquelas vozes…tudo ecoa na minha cabeça até hoje. Inclusive a questão “Porquê?”. Porquê na nossa casa? Porquê ela? Porquê tão rápido? Porquê a mim? Já para não falar que existem imensas pessoas no mundo, mas foste escolher ela…

Porque quiseste ir morar comigo, se já estavas com ela desde que vos apresentei um ao outro? Conheceste-a e uma semana depois pediste para morarmos juntos, porque não vias sentido após seis anos de namoro e vidas estáveis, estarmos a viver em casas separadas. Após uma semana a morarmos juntos, apanho-te com ela na nossa cama nova. Porquê? Conheceram-se nem fazia um mês. Porquê? A minha prima. Porquê? Não bastava ferires o meu orgulho, tinhas de me ferir perante a minha família. Não há um dia em que não me perguntem se estou bem, se preciso de ajuda, se quero companhia, se tenho outro namorado, se estou feliz. Não há um dia que não me tratem como uma coitadinha. A encornada da e pela própria família.

Mas sim…tu foste o meu melhor amigo, foste com quem partilhei o que havia de melhor e pior em mim. Eras quem me ouvia e mostrava prazer nisso. Ouvias sempre com muita atenção e tinhas sempre algo para dizer verdadeiro e que me fazia sentir melhor. A nossa química era surreal, não existia outra igual. Sempre que nos víamos após um dia de trabalho, a sensação era exactamente igual ao primeiro dia em que nos vimos. Amor. Amor. Amor. Eu fui tão burra, cega e ingénua em não perceber quando tudo mudou? Talvez.

Por isso, não. Não estou bem e te pergunto se me consegues ouvir e acalmar, apesar de tudo. Li e guardei cada carta que me enviaste, mas ainda estava fraca de mais para te responder. Agora sim, recuperei as minhas forças e não posso mentir, parte de mim dizia que, se realmente gostasses de mim, irias esperar até eu estar preparada para te ver novamente.

P.S.: Preciso de ti.”

Clica para leres a carta dele.


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