De mim para ele…

E de cada vez que nos encontrávamos, mais uma carta de amor caía do nada, e reclamavas. Não davas sequer oportunidade para argumentar, mal dava por mim já estava em lágrimas em consequência das tuas palavras frias. Havia sempre algo mais a dizer, algo que ficava preso algures na garganta, palavras que com o tempo, se tornaram num desafio em articular.

Escrevia, escrevia sem parar, tudo aquilo que nunca tivera coragem suficiente em dizer, escrevia. Escrevia-te tudo, mesmo que em vão, continuava. Continuei até que segurar na caneta era um tormento, um desatino constante entre o cérebro e o coração.

Ainda havia tanto para dizer, outro tanto para escrever, e ainda mais para chorar. Havia tanto que o meu coração ansiava dizer e a mente não o permitia.

Em minha defesa, esta não é mais uma carta de amor, não de propósito. Passei apenas para dizer que consigo respirar sem soluçar, que as lágrimas ao anoitecer já foram absorvidas pela almofada, e que já não há dor nenhuma para continuar a escorregar pelos olhos. Quero mencionar também que já não habitas no meu coração, e por muito que te queira culpar pela desarrumação em que o deixaste, não o vou fazer, não desta vez.

Quero ainda contar-te que encontrei alguém, alguém que alimentou toda a minha esperança e me recarregou as forças, alguém que me limpa as lágrimas ainda antes de caírem. Quero ainda desejar-te tudo do melhor e que sejas bastante feliz, sem mim.
E por tudo aquilo que te causei, o meu maior perdão. Ainda que o merecesses, ninguém o merece.

Fica bem.
Da mulher que mais te amou,
A que tu perdeste.


PELA WEB

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