De cabeça para baixo.

A frase que melhor descreve o que a minha geração possivelmente sente…vivo de cabeça para baixo.

Não me sinto de mal com a vida, no fundo nem me sinto revoltada. Apenas estafada de lutar contra os meus próprios pensamentos de que tudo poderia ser diferente. Pelas circunstâncias do momento que se vive actualmente ou simplesmente por mim, que penso bastante nas circunstâncias.

A teoria vive em mim, na minha mente. Mas não adianta alguém relembrar-me dela ou eu relembrar alguém. Nós somos o que somos, faríamos tudo de igual forma. A realidade não reside naquela frase “se eu soubesse o que sei hoje, faria tudo de forma diferente”…errado. Se vivessemos novamente, voltaríamos com um reset na mente e todo o ciclo se repetiria.

Aquele curso que tirei, aquele tempo em que dancei, aqueles momentos de despreocupação, aquele conforto que substimei. Tudo parte de um passado ao qual para sempre serei grata…mas é passado. Hoje em dia assusta-me como tudo passou tão rápido, como na altura eu achava que tudo era eterno…desde a aparência, aos momentos, às pessoas, às coisas materiais e imateriais. Hoje, a voz da minha mãe ecoa na minha cabeça…”O tempo voa, aproveita”. Não eram exactamente estas as palavras, mas era este o significado. Tudo passa, inclusive as oportunidades que perdemos por medo de falhar. Magoa-me sentir que podia ter feito, podia ter dito, podia ter sentido, podia ter visto, podia ter ouvido…podia tanta coisa. É claro ainda posso poder…

…mas os tempos passam.

Sou feliz é o que interessa, mas eu sei que o meu filho sentirá o mesmo que eu a determinada altura da sua vida. Porque a verdade é que haverá sempre algo que faríamos diferente. Eu farei a minha parte. Farei tudo para que ele se sinta completo, em cada fase da sua vida.

Mas no fim, haverão sempre momentos…de cabeça para baixo.