Crush!

Crush. No dicionário informal, quer dizer choque, colisão, esmagamento. É ter uma queda, um tombo por alguém. No sentido literal da coisa é bem assim também. Pois, o ato de se apaixonar, segue exatamente a mesma linha e a mesma sequência onde nem sempre há lógica.

Primeiro vem o choque de conhecer alguém e de se sentir atraído, você quer saber tudo e mergulhar no universo do outro, aquela sensação é tão boa que você quer sempre mais e para isso alimenta longas conversas nos aplicativos e chats. Depois, vem a colisão de ideias, ideais e valores que nem sempre são os mesmos do outro e  você se decepciona por aquela pessoa não ser o que você esperava dela, você se decepciona por ela ser apenas o que ela é: uma pessoa. E por fim, vem o esmagamento, que dói no peito, quando percebemos que não correspondemos à expectativa do outro ou vice-versa. Afinal, muitas vezes eles não atendem as nossas expectativas também. Principalmente quando já sofremos muito e nossos critérios de escolha andam meio indefinidos e até inalcançáveis.

O que antes era uma conversa que durava horas e seguia madrugadas a dentro, hoje mais parecem um monólogo com poucas palavras e longas horas de espera por uma resposta, que nem sempre vem. Se ainda estamos sob o efeito esmagador daquela colisão, nos sentimos frustrados por não conseguir manter aquela chama do início acesa e nos perguntamos “Mas trocamos mensagens direto 24h por dia durante três dias consecutivos, o que aconteceu?” A resposta vem fria como uma balde de gelo na cabeça: Não bateu, simples. Não rolou. E o problema não é você, ou ele, ou ela. É a vida e ela segue. O que nos resta é aceitar e não nos sentir mal por uma escolha que não é nossa e nem nos culpar por não ter respondido àquela ultima mensagem no whatsapp porque estávamos ocupados demais e depois simplesmente esquecemos, afinal, é melhor sentir essa pontada de frustração – que é muito mais o ego ferido falando mais alto – do que forçar algo que simplesmente não existe apenas para agradar e alimentar falsas esperanças em quem está do outro lado da tela, causando uma dor ainda maior no futuro.

Querido Crush, infelizmente não deu, não bateu e não precisa me procurar, porque eu não vou sentir a sua falta, tá? Aceita que dói menos. Aliás, você também não deveria sentir a minha, porque logo ali na frente você vai encontrar alguém com quem vai passar madrugadas a fio conversando e não vai precisar inventar assunto para prender a atenção dela, porque isso vai fluir tão naturalmente que nem vai sentir e você vai querer tê-la por perto não apenas por três dias, mas por três semanas, três meses e por uma vida inteira, afinal, ela não é só um crush aleatório que colidiu com você enquanto andavam em caminhos opostos da estrada procurando por algo que ainda nem sabiam bem o que era, mas será a sua parceira de viagem, aquela pessoa que vai colocar o caminho certo no GPS que é pra não ter erro e escolher a melhor música para ser a trilha sonora enquanto vocês seguem juntos para o mesmo destino.

PORCarla Rocha
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