Crianças perdidas no meio de nadas que podem sustentar um suicídio


O assunto que vos quero falar é difícil de escrever em palavras porque cada palavra me vai fazer chorar e ficar cada vez mais pensativa.

Há pouco tempo li um livro, que tinha como titulo “Até que o amor me encontre” de Charles Martin. Este livro, retrata duas histórias de duas crianças que ficaram à guarda do estado, como sabemos abandonadas pelos seus progenitores, aquilo que um dia poderiam chamar de pais.

Estas duas crianças, passaram por várias famílias de acolhimento onde, muitas vezes, eram muito maltratados e uma destas crianças até foi estrangulado. Nunca percebi muito sobre famílias de acolhimento é algo que só piora o estado psicológico de uma criança, que foi rejeitada pelos seus progenitores. Depois de um mês de habituação, as crianças têm de fazer as malas e ir para outra família de acolhimento.

Sabem o quanto isto custa? Adaptar-se novamente a outros costumes, a outras regras mais rígidas, menos rígidas. Adaptar-se a outras maneiras de se educar. Onde fica o amor no meio disto tudo? Onde fica a criança no meio disto? Com isto, a criança vai ficando apática e não vai querer saber da vida dela porque ninguém lhe ensinou isso. Porque simplesmente não pediu para viver. E o que apenas fica nessa criança é um vazio enorme que esta à espera que seja preenchido por alguém que dê amor, um gesto, uma palavra amiga. A vida de todos nós, das crianças que fomos e somos é como uma árvore que precisa de uma raiz para crescer e o mais importante de água para não secar.

Nós é que damos vida aos outros. Nós temos esse poder. É pena que muitas vezes não o usemos da maneira correta.

Uma criança tem que ser alimentada, amada. Uma criança tem de ter atenção, tem de ser cuidada. Porque senão o seu coração é como uma vela apagada.

Infelizmente, há milhares de crianças abandonadas na rua, nos hospitais, no lixo, nas instituições.

Infelizmente, há milhares de jovens a serem vitimas de maus tratos físicos, psicológicos. A serem vitimas de bullying. A serem vitimas por pessoas que precisam de ajuda. Por pessoas que têm problemas e não sabem como ultrapassar. E, por isso descarregam naqueles que também têm os mesmos problemas, mas conseguiram ultrapassar e seguir em frente. Apenas não conseguem perceber como conseguem lutar por uma vida que parece não ter saída. Por isso, fazem com que os outros se sintam como eles próprios, fracos, sem valor.

Não há desculpa para o bullying nem para qualquer outro ato que ponha em risco o bom desenvolvimento físico e psicológico de uma criança, de um jovem, de alguém. Na verdade, não há.

Todos temos os nossos problemas. Todos temos diferentes maneiras de lidar com eles. Há uns que ficam vivendo os problemas, escondendo-se neles porque não sabem como ultrapassar.  Outros conseguem ultrapassar porque alguém lhes ensinou como era. Porque alguém soube plantar e regar.

O que eu quero dizer é que um “olá” nunca é demais. Um “como estás” nunca é demais. Um abraço nunca é demais. Um “obrigada por estares na minha vida” também nunca é demais.

Todos nós nascemos com um dom, que é o amor. Mas, este tem de ser regado, tem de ser ativado, despertado.

Tu que estás a ler isto e não sabes como sair de um problema, vai caminhar a pé, olha para o céu, é lindo, não é? Olha à noite através da tua janela para o céu, está escuro não está? Mas será que só está escuro ? Vê melhor! É linda não é? Essa luz que brilha intensamente, que tenta vencer toda essa escuridão. Essa luz vais ser tu na tua vida. Eu tenho a certeza disso. A última coisa que queres perder é o final da história da tua vida. O final de toda a tua superação. Vais ver que não há nenhuma luta que não seja recompensada. Acredita vale a pena viver!

Tu que estás a ler este texto e descarregas toda a tua fúria nos outros, põe-te no lugar do teu adversário. Procura ajuda, tenho a certeza que alguém te vai ajudar e esse alguém vai ser aquele que tu menos esperas.

Costumavam dizer, “há solução para tudo, menos para a morte”.

Sei que o mundo se está a tornar mais individualista, mais virtual do que real. Sei, que para muitas pessoas o outro não lhes diz nada. Sei que há muitas pessoas a lidar com crianças e jovens em instituições, como sendo coisas, produtos de um trabalho com hora de saída muito pontual. Eu também quero fazer um apelo para essas pessoas. Quero apenas dizer-lhes que os jovens, crianças com quem lidam no dia-a-dia, merecem ter uma vida, um futuro digno e seguro. Que precisam acima de tudo de amor e de atenção. Não precisam de alguém que saia a horas, não precisam de alguém que desistam no primeiro não que recebem. Não precisam de alguém que diga “não vale a pena”.

O que mais precisam é de alguém que lhes mostre como se luta!

Acreditem, com tudo isto conseguimos dar sentido à vida de muitos jovens e crianças. Basta um pequeno gesto.

Seja apenas o urso peluche da criança!

Seja apenas a almofada do jovem!

Aqueça corações, não destrua.

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