Crescer é isto.. e todos temos que ir crescendo…

Quando somos pequenos o mundo parece-nos enorme, tudo parece incrível e impossível e fascinante como as pessoas conseguem abrir uma lata, usar um multibanco, ter um cartão que metemos em uma máquina e sai dinheiro, irmos a uma loja e pronto compramos tudo o que queremos com um bocado de papel ou com uma simples e tão pequena moeda das quais fazem iguais em chocolate e podemos comer!

Uau! Quando somos pequenos, a nossa mãe desaparece por uns dias e chega-nos com um bébé que diz ser nosso irmão e estava ainda á pouco na barriga dela! Com um caraças, a nossa mãe é mágica e o pai é tão grande e forte, ele pode comigo e com os meus irmãos ao mesmo tempo, ele conduz um carro enorme que anda em estradas muito compridas e mesmo quando está chuva ele funciona e o pai dá-lhe comida de vez em quando, algo chamado gasolina que têm um cheiro estranho mas que até gosto, a mãe não, ela fica enjoada.

Meu Deus, o mundo é enorme, têm uma infinidade de coisas para fazer, para ver, para descobrir, para brincar, tantas pessoas, todas tão diferentes… e eu sou tão pequenino, e eu não sei ainda fazer essas coisas todas, vou conseguir aprender? São tantas as perguntas. São tantas as coisas e todas parecem-nos tão grandes e importantes que nós não somos capazes de sequer as compreender. Mas um dia crescemos e as coisas começam a ficar mais pequenas, começa a ficar no nosso campo de visão, a ser alcançáveis e as pessoas começam a esperar que nós sejamos capazes de fazer as coisas, por vezes, depressa demais, bem demais, melhor do que ontem, dos 5 aos 6 esperam que saibamos já ler, escrever, fazer contas, contar histórias, inventar poemas, recortar e desenhar muito bem os nossos pais e passeios realizados ao fim de semana, esperam que façamos algum desporto e sejamos muito bons nisso. A pressão da sociedade começa.

As expectativas das pessoas a nossa volta em relação a nós é o que passa a ser maior que tudo, derrepente aquela lata têm que ser fácil de abrir, eu tenho que conseguir senão sou fraca, derrepente eu tenho que saber ir ao supermercado sozinha e comprar aquilo que a minha mãe me pediu senão sou tímida e isso não leva ninguém a lado nenhum ou sou preguiçosa ou medricas, tenho que saber me chegar á frente, tenho que crescer. Crescer dizem muito. Quando damos por nós, crescemos tanto mas tanto que tudo a nossa volta parece tão pequeno, o mundo torna-se demasiado alcançável e demasiado duro… perde-se o brilho, perde-se o fascínio. Ter um bebé deixa de ser magia, passa a ser simplesmente a tarefa da mulher, ou uma dor insuportável, ou algo comum que é suposto acontecer e senão acontece é porque não somos mulheres, tivemos uma má educação ou somos irresponsáveis “que raio de mulher não quer ter filhos?”, conduzir um carro deixa de ser algo fora do imaginável e passa a ser uma tarefa vulgar de todos os dias, já sem viagem, só com destino.

Todos aqueles sonhos de criança e planos de adolescente deixam de fazer sentido e de ter importância, porque passamos a viver a nossa vidinha do mais ou menos e do ta tudo bem, e o vai-se andando. Porque nos fazem isto? Temos mesmo que crescer assim e nos ir desiludindo assim? Pior, eu cresci assim.. tu cresceste assim e hoje somos demasiado grandes e ainda assim muito pequenos aos olhos da sociedade.. quem somos afinal?

E crescer é isto.. e todos temos que ir crescendo, e o mundo para fazer sentindo tem que nos ir parecendo mais pequeno e mais alcançável mas nós também temos que manter os sonhos connosco, temos que nos agarrar aqueles planos todos e pouco a pouco, passo a passo acreditando que é possível ir atingindo-os, nem sempre no tempo esperado, nem sempre da maneira pretendida mas nós vamos lá chegando, vamos ficando cada dia mais parecidos com o cansaço do pai e mais entendidos das dores da mãe.. e vamos nos vendo a nós grandes junto a outros seres pequenos que são exactamente o que um dia já fomos também.

PORMónica Freitas
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