Corpo sem padrões…

Desculpa sociedade mas eu desisto. Desisto de tentar agradar, desisto de ser um brinquedo nas tuas mãos. Desisto de lutar contra mim mesma para satisfazer essas regras estúpidas que vão aparecendo com o mudar dos tempos e ninguém sabe ao certo de onde elas vêm mesmo.

Queres saber um segredo? Odeio regras e odeio-te. Não quero agradar-te, não vou mais matar-me só para te sentires poderosa e sentires que tens a máxima influência sobre o meu corpo.

“Tira já imediatamente os teus padrões do meu corpo” ele não precisa deles porque ele vai ser exatamente aquilo que ele quiser. E não te preocupes com a saúde, ele sabe muito bem que tem de se manter forte e saudável para aguentar as merdas que tu lhe mandas, mas ele vai ingerir o que lhe apetecer, porque ele vai-se satisfazer a ele mesmo e não a ti.

Afinal a tua psicologia insiste tanto que nós devemos amar primeiramente a nós mesmos antes de amarmos os outros não é? Então desculpa lá se sou gorda demais, magra demais, se tenho um rabo assim ou assado, umas pernas ao quadrado, uma barriga com não sei o quê, lamento se não tenho os músculos que devia ou senão gosto de ir ao ginásio só para poder gabar-me a nem sei quem de que já consigo levantar não sei quantos quilos e fazer não sei que mais abdominais.

Se não sou pessoa disso, não me vais obrigar a nada disso. Lamento se não correspondo ás expectativas das modelos da televisão, elas são elas, eu sou eu. Não quero mais a tua pressão sobre o meu espelho, não quero mais os teus comentários sobre o meu biquíni, não quero mais o teu olho gordo na minha alimentação.

Queres matar-te? fingir que és saudável? queres tentar sentir-te superior a mim ao julgar-me porque faço aquilo que também gostavas mas não consegues? Força. Eu lido bem contra tudo isso. Se lido em tudo o resto, hei-de aprender a lidar nisto. Não existe corpos bonitos nem corpos feios, existe amor próprio e assino hoje um contrato com o meu corpo em que não vou maltrata-lo nem força-lo a mais nada.

Até pode não ser este o corpo que quero mas também não é esta a pessoa que quero ser, por isso prefiro ficar com a minha dignidade do que humilhar-me em prol de uma sociedade patética e insatisfeita.


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