Vou contar-te uma história de Natal…


Era uma vez uma menina que adorava o Natal…

Sim, adorava como ninguém! Esperava ansiosamente que o dia 24 de Dezembro surgisse e que com ele chegasse todo aquele amor familiar que ninguém dispensa.

Mal se aproximava a data a azáfama era notória, tanto na mente dela como no coração.

A consoada era passada, como em quase todas as famílias, em casa dos avós. Aquele ambiente aquecia-lhe o coração e fazia-a desejar o natal todos os dias do ano.

O jantar era sempre maravilhoso, mesmo que na ementa estivesse o bacalhau por quem ela não nutre grande gosto, o importante era que a cozinheira tinha sido a sua querida avó e a vontade que a mesma demonstrava em querer que todos aprovassem a ceia natalícia fazia com que a menina devorasse o prato com uma enorme satisfação.

Entre gargalhadas, recordações e algumas brincadeiras, rapidamente se aproximavam as 12 badaladas e o coração da menina e dos primos batia forte por saber o que estava para vir.

“O Pai Natal chegou!!”

Dizia alguém bem alto para satisfação dos pequeninos que na sua inocência nem tinham reparado no desaparecimento propositado de um dos tios e na súbita chegada do velhote de barbas brancas.

Os presentes eram muitos e, no meio desses todos, sabíamos que o Pai Natal tinha lido mesmo a nossa carta, pois a prenda que tínhamos pedido em casa dos avós aparecia sempre!!

Durante anos a fio a menina pouco dormia nessa noite, não só pela excitação dos momentos mas também pela vontade de que a manhã do dia 25 chegasse para poder brincar com os presentes que tinha recebido na noite anterior.

E que bom que era a vida assim…

Mas de repente tudo mudou…a menina cresceu e os problemas começaram a ser percebidos na cabecinha dela. Infelizmente a família já não era mais unida. Já não haviam visitas aos avós ao Domingo nem jantares de família…e consequentemente os Natais deixaram de ser o que eram.

A menina estava grande e parece que o preço a pagar por esse crescimento era passar o Natal em sua casa apenas com o irmão e os pais…Não que não gostasse deles, mas sentia que o Natal sem o resto da família e sobretudo sem os avós já não tinha significado.

E então tudo passou…passou a vontade de celebrar, passou a vontade de embrulhar presentes, passou a vontade de esperar pela meia noite. O Natal quase acabou por se tornar um dia como outro qualquer, apenas diferenciado pela quantidade exagerada de doces que a mãe fazia questão de continuar a fazer.

Foi assim durante muito tempo…até que essa menina já crescida começou a namorar. Esse namoro fez com que ela voltasse a recordar muitas coisas esquecidas na sua memória.

Voltou a ir a jantares de família (dele), voltou a fazer visitas aos avós (dele), voltou a viver a azáfama das compras de natal para os primos e tios (dele).

Tudo isso a foi deitando a baixo…tudo isso a fez despir a capa de desinteresse pelo Natal e vestir a de desilusão e tristeza por não ter um Natal assim como o dele.

Mais um Natal passou…e a menina crescida não soube lidar com a distância dos avós e a falta de pessoas na ceia de Natal. Sentiu aquilo como apenas mais um dia do ano, enquanto tinha em mente o quanto o namorado se havia de estar a divertir rodeado das pessoas que ama e cheio de amor para receber.

Ela sabe que um dia esses momentos vão voltar…um dia ela terá outra vez uma família para juntar no Natal, um dia ela será a mãe preocupada com as doçarias e no outro será avó atenta aos presentes que os netos desejam para as pôr no saco do Pai Natal, que um dos filhos vais distribuir vestido de vermelho como manda a tradição.

Um dia ela vai voltar a ser feliz, um dia ela vai voltar a ter o que lhe foi roubado sem motivo.

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