Conheci-a pequena, e ainda bem.

”Conhecia pequena.

Era desprotegida, semi-doente. Ninguém lhe dava atenção ou amor, nem um aconchego quente ou medicamentos para crescer forte. Tinha uma pequena cicatriz num dos olhos verdes, talvez tenha andado à luta, não sei. Era uma manchinha branca. Reparei logo nisso. Parece que foi ela que me escolheu, veio até mim, talvez lhe tenha agradado o meu cheio ou a minha presença, não sei, mas algo me diz que simpatizou de imediato com a minha pessoa. E é desde aí que a conheço. Passo os dias com ela. É encantadora! Tem uma personalidade incrível. É diferente das/os outras/os. É vivaça, brincalhona, intrometida e amorosa. Sabe o que deve fazer e quando deve, percebe quando está mal, pois as vezes excede-se. Adora estar ao meu colo e ser mimada. Aliás, é mimada. Mimada e gulosa. Adora comer fiambre, é perdida por chocolate, e não perde uma boa oportunidade para beber leite.

Por vezes julga que pode mandar na minha vida e fica ofendida se não lhe dou a atenção que acha que merece. A verdade é que merecia mais atenção do que a que lhe dou porque de certeza que passou por dificuldades, pelo menos pela fome. Aqui por casa também lhe  fizemos algumas maldades, quando somos crianças fazemos asneiras. Mas sempre a adorámos… Cada vez mais. Há medida que o tempo foi passando, ela tornou-se uma de nós. Faz parte das nossas vidas. Falamos com ela e ela, há sua maneira fala connosco. Nós vamos crescendo e ela vai crescendo igualmente. Cada vez nos adoramos mais e mais. E cada vez nos conhecemos mais e melhor. Como tudo na vida. Quando estou doente, é a melhor companhia que posso pedir. Nem preciso de lhe contar o que se passa porque imediatamente entende e fica comigo, horas a fio se necessário, a meu lado, quase como se me estivesse a vigiar. Quando lhe dou beijos e a esborracho em abraços contra mim não acha muita graça. Ela não se queixa mas eu sei que se sente demasiado apertada quando o faço, e não gosta. E também não gosta nada que lhe mexa nas orelhas, e é mesmo por isso que o faço, por saber que detesta. Também não deve gostar que a acorde porque adora dormir e como não trabalha, grande parte do seu dia resume-se a essa pequena relíquia, dormir. Às vezes, ao apanhar o sol que entra pelas varandas, deixa-se dormir (novamente) e eu, acordo-a com umas festinhas. Se conseguisse,  tenho a certeza que se zangava comigo mas não consegue. Afeiçoou-se demais a mim para se chatear… Fora algumas excepções que se zanga mesmo porque ralho com ela, sim porque também faz asneiras. Nada nem ninguém é perfeito/a. Independentemente disso, não a trocava por nada. Aí, vira costas, não me olha nos olhos e permanece em silêncio. Se estou demasiado tempo, a seu ver fora, de casa, entristece-se e mostra-se revoltada. No entanto, passa-lhe rápido porque a ligação que temos uma com a outra, que construímos, ou que simplesmente nasceu do nada, é muito forte e verdadeira. Posso já tê-la magoado e sinto-me mal por isso mas tenho a certeza que ninguém cuidaria melhor dela do que a maneira como eu cuidei e continuo a cuidar, nem ninguém perceberia tão bem os seus sinais quando precisa de algo ou de ajuda. Sou o seu porto de abrigo, posso dizê-lo com certezas. É melhor que muita gente. Digo e repito. Mais educada, mais carinhosa e mais divertida que muitos. É a melhor gata do mundo pela qual tenho muita estima. É o melhor animal de estimação que podia pedir. A única gata que gosto no planeta. De pêlo beje, às riscas, de garras afiadas e barriga rechunchuda.  O amor dono/animal existe e esta é uma pequena prova disso. Agora está a ficar crescida e eu acompanho os seus dias… Quando não sei como será.

Obrigada por existires e me teres escolhido tal como eu te escolhi a ti.”

PORMarta R, Alentejo
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