A Confissão de Uma Sem-Princípios

Deus colocou em mim toda a beleza do mundo. Os meus cabelos são o chocolate que vocês amam comer, os meus olhos são o azul das águas que vocês amam beber, a minha pele é da cor da farinha do pão que vos alimenta e os meus lábios são rubros como as doces cerejas com que vocês tanto se querem deliciar sob um sol de Verão. Eu sou o paraíso na terra.

Passo na rua: todos olham. Entro num café: todos sorriem. Tiro a roupa: os homens caem.

Vocês agora pensam que eu poderia ter tido tudo neste mundo, que poderia ter sido mais do que uma simples… como é que é a palavra? Ah! Sim!Trepadora. Mas o certo é que escolhi ser assim. Se sou tão bela, se tanto me desejam, por que haveria de ser de outra forma? Gosto quando me f*dem e me enchem de diamantes. Gosto quando me chamam de vaca e logo a seguir me levam a jantar. Gosto quando Elie Saab é o nome que predomina no meu armário, após uma longa noite a ser chamada de minha égua.

Enquanto umas passam a vida de forma enfadonha, a erguerem estandartes e a matarem-se a trabalhar e estudar, eu passo a minha da forma mais divertida possível. Sexo, dinheiro e festas. Não ergo estandartes. Deixo que me fo*am como bem lhes apetece. E, ao fim do dia, recebo uma gargantilha de diamantes, uma pulseira de rubis e um vestido que vale tanto como um carro. Já as outras… chegam ao fim do dia e recebem uma casa para limpar, um jantar para fazer e um marido a quem têm de dizer «Estou com dor de cabeça!». Dizem que sou eu quem poderia ter tido tudo, mas elas é que puderam. Eu… já tenho tudo!

Sexualmente satisfeita, emocionalmente estável, a mais bela por entre as belas, rica como um empresário e extremamente influente… graças àquilo que levo entre as pernas. Feminismo não consta no meu dicionário. Já machismo?… Ah! Mas é isso que me sustenta! Aquele machismo sujo, que me f*de, me corrompe e me corta. Aquele que me faz arder. É o machismo que faz de mim quem sou: bela e rica. Estou sozinha? Compro um cão. Vou envelhecer e o cão vai morrer? Não se preocupem, adopto uma criança.

Chamem-me Anabela, ou chamem-me Put@.


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