Confissão de amor no sopro da verdade…

Hoje num dia desigual, não percebo a razão para te amar assim. É um dia igual tendo em conta que não posso correr para ti. Nunca me declarei antes. Pois bem hoje é o dia. Hoje é o dia em que falo de ti , do que fizeste todo este tempo com as minhas insónias . Nunca me vi cruzar o olhar com o amor , como fiz , no dia em que te vi pela primeira vez . Foi um curto circuito entre o romantismo e a vida . Não dei conta do que disse . De como se encontra alguém numa praceta e se promete amor . Não te prometi amor á primeira vista . Fiz melhor que isso , esperei até me apareceres no inconsciente numa madrugada algures . Até me fazeres levantar passando a mão pelo rosto sentido um sorriso . Sentido uma lágrima interior , de uma felicidade que me emocionava . Depois de ir buscar um copo com água , pensei que não havia nada a fazer . Hidratavas-me a vida , consolavas-me as noites . O meu olhar soletrava os teus lábios , dia e noite .

Eras o dia de chuva , o abraço da madrugada que eu descrevia na primeira pessoa . Sentia-o tão bem , ainda hoje sinto  o largar de braços . Uma pomba que me levou as lágrimas . Rodeaste a minha vida de regressos . De fugas , de buscas , de fins . Via nas tuas cordas vocais roucas , promessas de oceanos . Via em ti uma âncora , via-me uma sonhadora . Foste a quebra de açúcar do meu corpo , foste o desejo que agarrei além mar. É fascinante a arte de amar . Todos o sabem , eu sei-te . Sempre soube . Mesmo que não ames como eu amo. Mesmo que o chão que pises não seja a continuação daquele que te ofereci .

Todos dos dias voltei , para te soprar ao ouvido , o quanto escrevia para mim , pensando que as palavras se poderiam tornar rios e navegassem até ti . Que dissipassem as noites de perdão. Espero que um dia mergulhes no rio . Que eu um dia também o consiga fazer . E que nesse instante , estejamos repletos de nós , e que a vida nos deixe afogarmos memórias . Que no alvoroço do rio , o nosso corpo reaja , da mesma forma que um dia … num instante díspar reagimos a um beijo , que nos tornou , duas crianças , dois plenos adolescentes , que nos tornaram , uma mulher e um homem. Tenho orgulho em ti . Tenho saudades tuas . Dói escrever , sem saber se amanhã poderemos ter resposta . A minha foi um não ontem , será hoje e quem sabe amanhã , também possa concordar . Com a impossibilidade de nos cruzarmos na vida . Dei-te o pouco que tinha , deste-me uma alma quente . Há intervalos na vida que tiramos para amar . E por muito que o amor não seja eterno , eu confio no tempo . Cruzamos ruas diferentes , enfrentamos lábios diferentes . É imperdoável , baixar os braços quando se ama . Hoje faço-te uma declaração de ternura , deixando o orgulho , usando a loucura e a felicidade que a vida nos pode dar inesperadamente . Não sei qual é a sombra onde a minha se sobrepõem, sobre a tua . Não sei que palavras te tiram a respiração . Se calhar as que não disse.

O amor é brutalmente ensurdecedor . Sobretudo quando se escreve versos a duas vozes . Sobretudo quando nos amam no mesmo corte de respiração que nós . Não imploro amor . Só aprendi , a gritar no tempo certo . És a paixão por detrás das folhas que escrevo. Presumo , que hoje as palavras irão deslizar pela echarpe da noite , pela varanda da manhã , pelos pedaços de rosas deixados pela calçadas , para os futuros amantes . Que amem tanto como te amei . Talvez hoje te ame menos , talvez hoje me ame mais . Era bom que o amor desse os sonhos que recebi de ti no acaso , na cantiga dos inesperados . Tudo o que escrevo para ti é em jeito de desabafo , sopro para o papel esperando que as cinzas voem, que as palavras renasçam do sono. Hoje coloco a mesa enquanto assobio  , será um mote do festejo do teu aniversário , será o momento em que me sucumbo ás emoções , nesta declaração, quase a terminar .

Todos os amores têm a mesa posta , e o nosso não é diferente . Sempre te levei jasmim , sempre me trouxeste framboesas . Gostei de te abraçar , pela última vez . Gostei de ser criança novamente . Gostei de ter aprendido a não desistir dos sonhos . Gostei de simplesmente seres o único nome que tem capacidade de me trair o olhar . De abraçar os planos que fiz , algures num luar . Hoje disse toda a verdade , como todos os dias devia ter feito . Declaro-me culpada , por estar em lágrimas , por me teres ensinado a nadar, a escrever com alma . Obrigada pelo que abraçaste em mim . Obrigada por me tirares o sono , e mostrares que a vida é a afinação do amor . Parabéns pelo dia que abraçaste hoje , parabéns pelo que trazes no olhar . Há dias em que o luar nos espera. Hoje vou vê-lo pode ser que adormeça em recordações . Foi uma declaração longa, foram as mais duras palavras que escrevi , foram as palavras mais certas que peço perdão nunca ter dito . Parabéns.

PORSofia S
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