Complexa Maternidade

A complexidade da escolha em ter um filho existe com uma intensidade que não passa pela cabeça de ninguém. O primeiro passo é precisamente a escolha e normalmente diz-se que, a partir daí temos meio caminho andado para o sucesso. Considerando todo o processo de desconforto e dor pelo qual muitas de nós passamos durante a gravidez, pode até ser verdade. Contudo, e esta é a minha opinião baseada na minha experiência, não considero que o caminho vá nem a meio da metade. Para mim a maior e verdadeira aprendizagem vem depois, quando o bebé nasce. Quem já teve o segundo filho, acredito que talvez faça “tudo” com uma perna ás costas, mas para quem teve o primeiro não é de todo assim.

Aquele momento em que o teste dá positivo e não estamos à espera (pois tentámos durante um ano e nada…), conseque ser mágico e surreal!

“Vou ter um filho…” Pensas.

Naqueles primeiros instantes, nada relacionado com o trabalho que iremos ter ou o que teremos que comprar, surge na nossa mente. Surgem sim, pensamentos nos quais te imaginas com o bebé no colo, rodeada pela família, amigos e constantemente feliz TODOS OS DIAS. E é verdade, parcialmente. São várias as mães que se acham menos mães se partilharem o seu descontentamento ou cansaço em diversas fases, principalmente no início. HEI! Somos humanas! Mas isso só acontece porque a sociedade é o que é. E apesar de praticamente (se  não todas) todas as mulheres passarem pelo mesmo, muitas preferem ser hipócritas. Em vez de nos apoiarmos, estamos a ver quem é a mais perfeita. Pois eu tenho a resposta para vocês: ninguém!

Não acredito em mãe alguma que não tenha, em algum momento, sentido tristeza e vontade de chorar compulsivamente. Não acredito em nenhuma mãe que não se tenha sentido má mãe. Não acredito em nenhuma mãe que não se tenha já desesperado. Não acredito em nenhuma mãe que, em algum momento, não tivesse vontade de bater com a cabeça nas paredes. Não acredito em nenhuma mãe, que não tenha bloqueado a olhar fixamente para o rosto do bebé enquanto este chora desalmadamente, sem saber o que fazer pois já tentou de tudo. Não acredito em mães que não tenham silenciosamente desejado gritar que o bebé se calasse durante uma crise de choro nonstop, e de seguida se arrependessem disso sentindo-se culpadas, mesmo sendo um mero pensamento. Não acredito em mães constantemente contentes, sem sentirem cansaço algum.

Nada disto significa que não se goste dos filhos, muito pelo contrário. Significa que nos estamos a esforçar e tudo são etapas e desafios. Não temos experiência e como em tudo na vida, a experiência vem com o tempo. Educar e cuidar de um ser humano em NADA se compara relativamente a experiências passadas. NADA. Afinal de contas uma vida depende de nós. Conseguem entender o peso dessa frase?! No meu caso essa frase ocorreu na minha mente quando consegui ter o meu filho nos meus braços pela primeira vez. Logo no hospital pude experienciar o facto de não poder estar a 100% para ele logo no inicio, pois fiz uma cesariana de emergência e o pós operatório não foi nada fácil. Ainda no hospital vivi as minhas primeiras frustrações fisicas e psicológicas. Sinto que as psicológicas por vezes ainda surgem. Não estou aqui para ser hipócrita, mas sim verdadeira. Pensar que ele depende de mim e eu não conseguir satisfazer as necessidades dele é frustrante (eu também não tinha leite…).

Ser mãe não é fácil, mas é tudo de bom! Ser mãe é reaprender a viver, tal como os nossos filhos aprendem a viver neste mundo, nós também. Sem sequer notarmos, mudamos. Tomamos uma maior (gigantesca) atenção a várias coisas que antes nos passavam ao lado. Notícias sobre crianças vão afectar-nos SEMPRE. Iremos sempre pensar “Oh meu Deus! Se fosse o meu!”. Vamos olhar para os parques para crianças de forma diferente. Iremos sempre à secção de criança, quando entrarmos numa loja para comprar algo para nós e acabamos por trazer algo para eles. Também nós vamos ter um desenho animado preferido, provavelmente o mesmo da criança. Conheceremos todas as marcas (boas e más) do mercado de fraldas, papas, roupa, brinquedos, etc. Vamos dar valor a pequenas coisas e momentos, como rebolar no chão, tirar um momento para olhar nos olhos da criança. O meu filho faz muito isso. Ás vezes dou com ele a olhar fixamente para mim e quando olho para ele, ele sorri e respira fundo. Não é magnífico?! Sentir que somos o “tudo” deles, sentir que eles se sentem seguros connosco por perto com um simples suspiro. Vamos dar valor ao gatinhar, andar e correr deles (bem como outras tantas coisas), quando antigamente, para nós, isso era  algo banal que era suposto acontecer com todas as crianças. Mas quando acontece com a nossa, é um marco gigante na história da nossa vida!

Lembras-te da pessoa que eras? Já não serás mais. Serás melhor!

O que é para ti ser mãe?

“Ter um menino para amar, cuidar e proteger. Ainda que ele já use bengala!”
Ana Legas

“É o mais sublime papel que uma mulher pode ter na vida.
Que nos faz amar alguém mais do que a nós mesmos.”

Dora Oliveira

“É aproveitar cada segundo. Isso é muito importante,
porque no segundo a seguir tudo muda.
Amo esta nova condição como mulher: ser mãe!”

Nádia Lush

“Sentir felicidade todos os dias, por mais chato que o dia tenha sido.
Um abraço e um beijo da minha filha fazem-me esquecer qualquer problema.”

Vera Rebola

“É uma benção! É dar sem querer nada em troca,
amar incondicionalmente. É admiração, esperança, é tudo!”

Minda Guerreiro

“Único e maravilhoso! Não é um mar de rosas,
porque não é fácil. São etapas constantes,
com as quais aprendemos juntamente com os nossos filhos.”

Johana Santos

É tudo!! É a minha alegria, a minha felicidade. Adoro ser mãe!”
Ana Ribeiro Franco


PELA WEB

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