Como tu ainda me destróis…

Imagino como se sentirá o rato quando encurralado pela cobra. Acho que é o que sinto quando me cruzo contigo na rua.

Fico em pânico, há procura de uma saída, mas o meu orgulho, a minha teimosia, faz-me olhar-te de frente, deixar de ser o rato e passar a ser a cobra.

Tu não imaginas o aperto que eu sinto, ainda mexes tanto com as minhas emoções, consegues desarmar a durona que tento ser todos os dias.

Desfazias o meu dia se tivesse proferido uma palavra, quando me olhaste nos olhos, com esse olhar que me engole por dentro. Conseguias fazer-me cair por terra, se os teus lábios se tivessem aberto, e uma única palavra tivesse saído, passaria o dia a ouvir a tua voz a entoar na minha cabeça, tal como vou ver esses olhos, todos os minutos deste dia.

Voltou a despertar um monstro que estava quase em sono profundo, destruíste em poucos segundos, o que eu consegui em semanas, porque parece que tens esse dom, de apareceres quando eu menos preciso.

Já devia estar preparada, quando navegas muito no meu pensamento, parece que te materializas e apareces-me à frente, só para dar mais uma picada no touro.

Anseio pelo dia, que quando me esbarrar contigo no passeio, esta dor não vai aparecer, este aperto no peito não vai acontecer e serás só a boa lembrança de que um dia foste o homem da minha vida.