Onde clico para parar de doer?

Morri para ti e jurei a mim mesma que tinhas morrido para mim. Sempre que me perguntam se estou bem eu respondo que sim mostrando a minha felicidade pouco digna de verdade camuflada por um sorriso que, ainda sem darem por ela, é ainda menos sincero. Digo que já te esqueci, que segui para a frente e agora e sempre estou bem. Mas não estou.

Dói quando respiro, dói quando acordo, dói quando me deito, pois continuas a ser tu o meu primeiro e último pensamento. Minto a mim mesma com palavras de coragem e conforto que mesmo fazendo efeito por algumas horas, de nada me servem no final do dia. És tu quem eu ainda procuro em cada rosto, em cada princípio e fim de rua. És tu de quem eu ainda espero algo absurdo, pateta, digno dos meus sonhos irreais que fazem ti alguém que nunca serás e que eu continuo, ingenuamente, à espera que sejas.

O meu peito sofre assim que o meu coração pára cada vez que vejo alguém que me parece seres tu. Ainda sofre mais quando és realmente tu. O meu corpo estremece quando falo e me apercebo que fiquei com palavras tuas, com modos de falar e expressões somente tuas. Ainda sinto o cansaço proveniente de noites por dormir, noites preenchidas por lembranças de algo que outrora fomos, das frases poéticas ditas por ti que ainda me aquecem interiormente, dos momentos em que fomos dois adolescentes focados na fantasia do momento sem pensar que o amanhã seria tão desolador para um de nós dois. Magoa saber que morri tão facilmente para ti, enquanto tu ainda nem deixaste de ter importância para mim…

Ainda respiro dor. Poderia continuar a mentir-me fugindo dos meus próprios pensamentos acreditando que acabaria mesmo por te esquecer, fazendo-me lutar contra mim própria, gritando e exigindo que a tua imagem tão presente e a tua voz tão nítida partisse e nunca mais regressasse. Mas agora aceito tudo como a realidade me deu a conhecer. Encaro a tua presença dentro de mim, aceito-a, mesmo que desta forma ainda doa mais. Há dias em que falo contigo, enfrento-te e digo com toda a certeza que te vou esquecer, apenas ainda não chegou o momento certo. Sei que ainda terei de passar junto a ti, sustendo inevitavelmente a respiração e esperando que, quando nos olharmos, não decifras o vazio no qual me deixaste. E quando fecharmos novamente os olhos tudo aconteça, ou não.


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