Cinzas…

Já te disse o quanto te amei, já te disse até onde estava disposta a lutar. Lutar por mim, por ti, por nós. Mas agora, agora deixa-me dizer-te como tudo acabou.

Entraste na minha vida e viraste de pernas para o ar toda a minha bagagem escondida em recantos profundos do meu ser. Acordaste medos e sentimentos que há muito tinha posto para dormir. Partiste muros mais altos e fortes que o de Berlim. Eu amei amar-te, mas agora? Agora odeio este sentimento que ainda está em mim e teima em não sair.

Odeio tudo o que fiz para ter a tua atenção. Odeio quando te procurava e tu escondias-te.

Tu foste como uma tatuagem. Aos poucos cravaste cada traço do teu ser na minha pele, com a mais afiada e dolorosa das agulhas. Foi exatamente uma sensação doce e amarga; dói, mas é viciante. Embora uma tatuagem fique para sempre na pele, tu não vais ficar. Vai ser um processo longo e doloroso, mas vou conseguir apagar-te da minha pele, arrancar-te do meu coração, arrumar-te no recanto mais escondido do meu cérebro.

Foste o tudo para mim; foste aquela paixão ardente que só  de olhar nos teus olhos parecia fogo. Mas agora és apenas um pequeno rescaldo que vou terminar de apagar. Vais ser as cinzas de um incêndio que devastou a minha alma. Mas como diz a lenda, das cinzas nasce a Fénix. Linda, impávida e serena. E assim, como ela, eu vou renascer, porque um dia não vou mais acordar a pensar em ti. Um dia vou conseguir estar no mesmo lugar físico que tu e não me vais afetar. Um dia tu vais ver a mulher que eu sou e nunca deste valor. Mas um dia eu vou conseguir dizer-te obrigada.

Obrigada por tudo o que me fizeste sentir.

Obrigada pelo incêndio que ateaste.

Mas agora eu só consigo dizer-te uma coisa:

Adeus. Eu vou renascer.

PORClara Beatriz
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