Chore, desabe, ninguém é obrigado a ser forte a toda a hora…

A noite cai lá fora, o sol despede-se no horizonte …

Chegou por fim a hora de deitar, de despir o vestido de menina forte e deixar as emoções à flor da pele.

É no silêncio da noite que surgem todos os demais pensamentos e memórias, é aí que deixámos o sorriso falso de lado para dar lugar à libertação das tristezas, tristezas que se traduzem em lágrimas … lágrimas que rolam pela face, quase como querendo acariciar-nos a pele com uma certa subtileza estranha e fria, lágrimas que desaguam nos lábios e lá morrem deixando um gostinho salgado e amargo, um travo amargo causado pela angústia de um pobre coração sofrido.

É no escuro anoitecer onde finalmente podemos deixar de lado a máscara de durona, onde, não estando lá ninguém para ver, podemos desabafar agora as nossas mágoas na almofada, almofada que se torna a nossa melhor amiga, que ouve os nossos desabafos sem contar a ninguém, que enxuga as nossas lágrimas e nos dá conforto, nos ajuda a adormecer e por fim, repousar e sonhar…

Um novo dia chegou, o sol raia lá fora, volta com ele a hora de vestir de novo o disfarce de senhorinha feliz e seguir em frente. Recarregamos baterias, pomos o nosso melhor sorriso e enfrentamos de cabeça erguida mais um dia.

Mais um dia cheio de lutas, carregado de emoções e batalhas, e lá estamos nós, prontas a combater tudo e todos, mais uma vez, a pisar até as nossas próprias dores mostrando sempre o quão fortes somos e tentando fazer parecer que somos felizes.

No fundo, fazemos tudo isso porque apesar da nossa grande força interior, somos o ser mais frágil e débil à face da terra e morremos de medo de mostrar tais fragilidades. Receamos intensamente que descubram as nossas fraquezas porque vivemos aterrorizadas de que usem isso contra nós, que se aproveitem da nossa fraqueza para nos desprezarem e maltratarem.

Somos seres tão frágeis que temos medo que uma pequena pedra no sapato nos quebre, como se quebra um vidro qualquer, e simplesmente decidimos então não mostrar ao mundo como realmente nos sentimos por dentro.

‘Chore, desabe, ninguém é obrigado a ser forte a toda a hora.’