Chaves mestras da vida!

"Ensinaste-me também que o que fazia tinha muito mais mérito do que eu lhe dava, que eu era boa em tudo o que eu queria. (...) Ambos nos apercebemos que a vida é uma questão de escolha, que é feita de opções, que a adrenalina e o fascínio da vida é arriscar, é aprender a equilibrar-se nos extremos e experimentar novos limites."

Fomos dias, meses, chegámos até a ser anos… Fomos tudo tão depressa, que rapidamente nos tornámos em nada. Fomos a vida que sempre sonhámos, as aventuras que ambos quisemos, as experiências que ambicionámos, fomos mesmo tudo o que imaginámos!

Tornámo-nos a chave um do outro. Ambos tínhamos fechaduras seladas e armas de canos serrados, éramos bombas que  a qualquer momento explodiam e destruíam, novamente, tudo em seu redor.

Era esse o meu maior medo, era essa a minha tormenta porque já antes havia acontecido, já antes havia destruído tudo.

Não tardou muito até que a revolução chegasse à nossa vida, não tardou até que a fantasia acabasse. A fechadura já foi mudada. Deixámos de ser a chave certa um do outro. Deixámos de conseguia abrir apenas as fechaduras um do outro. Enquanto o fazíamos, antes da tempestade chegar,  ensinaste-me que tinha o mundo a meus pés, bastava mudar de atitude.

Ensinaste-me também que o que fazia tinha muito mais mérito do que eu lhe dava, que eu era boa em tudo o que eu queria.

Eu aconselhei-te também a seguires os teus instintos, a arriscares, a ires para além do que conhecias, ensinei-te a acreditar na vida para além dos teus limites e mostrei-te que isso era bem possível.

Ambos nos apercebemos que a vida é uma questão de escolha, que é feita de opções, que a adrenalina e o fascínio da vida é arriscar, é aprender a equilibrar-se nos extremos e experimentar novos limites.

As pessoas que conhecemos à um ano atrás, não são mais iguais àquilo que vimos na primeira vez que nos cruzámos. Eu mudei, tu mudaste e o ‘nós’ também mudou. Não há que levar a mal e muito menos guardar rancor ou ressentimentos, há que aceitar que nos tornámos chaves mestras da vida. Somos muito para além daquilo que conhecemos há um ano atrás eu sou uma junção daquilo que era com aquilo que me ensinas-te e tu, tu foste o meu melhor aprendiz. Aprendeste tudo e tão depressa que vais ser a melhor chave mestre que já conheci. Agora que nos destruímos com tantos sonhos e fantasias, agora que somos chaves mestras, está na hora de encontrarmos uma fechadura que nos desafie.

Está na hora de transformarmos mais pessoas e, de preferência, não as tornarmos em mestras da vida, ensinar-lhes apenas o necessário, com muita calma para não voltar a passar tudo depressa demais e acabar em mais um ‘nós’ desfeito. Está na hora de ir com muita calma para não voltar a passar tudo depressa demais e acabar em ‘nada’.

PORRita M. Fonseca
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