Chama que ainda me chama

Lembras-te quando se acendeu?

Acho que foi desde que te vi sinceramente, acho que foi no teu primeiro sorriso, ou num olhar fechado, foi no primeiro toque ou nas primeiras palavras. Não sei mas acendeu.

Ainda hoje me pergunto como é que o teu mundo viveu tanto no meu, tanto que passou a ser o nosso…

À luz daquela fogueira, que juntos criamos, dizemos as mais lindas palavras de amor, partilhamos tudo e entregamos tudo de nós. Lembras-te quantas foram as noites que fiquei de mãos dadas contigo, quantas vezes encostas-te em mim para procurar o meu conforto, quantas vezes baixas-te a cara para chorar no meu peito, e em todas essas vezes eu segurei-te, abraçei-te e com carinho te jurava que sempre te iria amar, e ao mesmo tempo prometia que tudo ficaria bem.

Dei-te todo o meu ser, porque tudo que me deste me levava a isso. Tu viveste a minha inocência, provaste de todos os meus medos, estiveste lá em todas as vezes que tentava, e continuavas em cada vez que falhava, tu viste as minhas lágrimas, tu conhecias todas as minhas expressões, tu viste as minhas feições mudarem com o tempo, quantas vezes tu até sabias o que eu iria dizer a seguir. Talvez até me conhecesses melhor do que a eu mesmo.

Lembro-me e doí lembrar, o quanto fui feliz contigo, lembro-me de acalentarmos tanto a chama do nosso amor, que qualquer tempestade não a apagava lembro-me de sermos e continuarmos fortes, a cada queda, a cada tristeza, a cada desnorte. Lembro-me de só existirmos nós no mundo quando nos olhávamos, de corrermos para nos vermos, de nos beijarmos à chuva, de nos abrigarmos, de nos protegermos, de nos ajudarmos, de sermos duas pessoas e ao mesmo tempo termos os mesmos sentimentos.

Um dia acordei, e aquela chama que juntos carregávamos através dos tempos, já não existia, tu mesmo sabendo de tudo que vivemos, e tudo que juramos ainda viver (e que um dia alguém escreverá em palavras e frases mais precisas que as minhas) decidis-te apagar, apagar tudo.

O meu nome, a nossa vida, as nossas memórias, os nossos sonhos, os nossos desejos, decidiste apagar a chama e partir sem mim, e ao mesmo tempo, foi como se carregasses a minha alma, deixas-te apenas para trás um coração partido em mil bocados, e uns olhos que te vêem a afastar-se todas as noites em que tento dormir.

Hoje tenho umas mãos que não sentem, tenho pés que não me levam a lugar algum porque acho que o meu coração parou, no dia em que o teu, deixou de bater por mim.

Como de um filho se tratasse, tu também me criaste e ajudaste-me a ser muito do que sou hoje. E mesmo sem ti, tu continuas a ensinar-me, a ensinar-me a viver sem ti. E posso não ser tudo que seria contigo, mas muito do que sou, ainda é baseado em ti…


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