Carta de suicídio de um Coração Em Pedaços…

Acho que desta vez tive o bastante. O amor que sinto por ti é inflamável. Eu sou a gasolina, tu riscas o fósforo e vais deixar-me queimar, é sempre assim. Já superei outras vezes, resisti com algumas queimaduras, mas ainda tenho as cicatrizes. Já fui magoada de um jeito que tu nem consegues tampouco imaginar. Mas estou aqui. Continuo a bater e a bombear o sangue para esta que cheia de lesões, se vai mantendo de pé. Ou que pelo menos estava, até tu chegares e derrubares todos os muros. Não doeu apenas nela, doeu em mim, não fez qualquer tipo de som.

Eras um pedaço do céu. Eras o meu sonho bom. Eras a minha graça salvadora. Ouve um tempo em que eu sentia-me a cair nos braços do amor, esse valentão disfarçado, e sinceramente era a melhor sensação do mundo. E agora apenas caio aos pedaços.

Parti todos os relógios, o tiquetaquear constante deles torturava-me.

Estou perdido. Perdido de amores por ti, e não sei até que ponto isso possa ser bom. Estou perdido, perdido do meu caminho, desde o momento que fiz o desvio para o teu peito.

A minha rua é fria no verão sem ti. Todos os lugares que olho vejo-te sorrir, estou louco. Estou a chorar. Fui forte por tanto tempo e hoje parece que tudo o que lutei foi em vão. Lutei pela cura para todas as mágoas que causaste em mim, e quando finalmente acreditei que a tinha encontrado, apenas me quebrei em mais pedaços do que pensei que poderia ser possível.

Não é bonito quando um coração se parte. Aliás eu nem sabia que um coração pudesse ser quebrado em tantos pedaços que nem tempo, nem todo o amor do mundo podem reconstruir. Tu podias. Só tu. Mas onde estás tu além daqui do interior de mim?

Estou acorrentado à tua alma de um jeito inexplicável, e a parte pior? Saber que não existem correntes a prenderem-me e ainda assim não consigo libertar-me. Tenho um milhar de estacas a perfurarem-me, não corta, não sangra, ninguém vê, mas é como se morresse um pouco a cada dia de ausência tua.

É como se o chão sob mim cedesse e as minhas pernas não conseguem manter-se firmes. É como desesperar por uma gota de água no meio de um deserto. Ninguém entende.

Então eu escrevo, escrevo para libertar estas dores que não consigo amenizar de jeito nenhum. Escrevo para dizer que ter-te conhecido foi uma bênção na minha vida, mas que hoje acho que não queria ter sido tão abençoado, porque tu quebraste o encanto, e quebraste-me também.

Estou a fraquejar. Ela começa agora a sentir aquela diminuta perda de ritmo. Estou em pedaços e desta vez é o fim. Não quero mais este amor, vou arrancar a tua mancha de dentro de mim. Para sempre. Vou matar-me, matar este amor, matar aquela que tanto te amou.

Com pesar,

Um Coração Em Pedaços.

PORLetícia Brito
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