Carta a S. Valentim!

Caríssimo Sr. Valentim,
Venho por este meio informar que o propósito do dia que lhe foi atribuído no calendário romano tem vindo a alterar-se devido a diversas conjunturas socioeconómicas implementadas pelo capitalismo que reina nos dias de hoje. É com algum desagrado que tento comunicar-lhe que a condenação à sua morte deu asas a práticas consumistas em prol de estratégias de marketing que apelam à obrigação das mesmas práticas.

Com isto quero apenas notificá-lo com alguma clarividência do que tem acontecido com o passar dos séculos, que a sua história, o propósito deste dia, tem vindo a tornar-se um assunto cada vez mais alheio aos que o comemoram, restando da sua luta contra as ordens do Imperador apenas seu nome “Dia de São Valentim” (por outros conhecido como “Dia dos namorados”), celebrando-se assim as práticas de amor impróprio a quaisquer bênção pelo Senhor Bispo Valentim.

Mas, e porque nem todo o amor – o verdadeiro amor – foi afectado pelas práticas capitalistas, existem ainda casais que honram, conhecendo ou desconhecendo a causa, o seu nome. Continuam a existir beijos sinceros e amores eternos que, perto ou longe, comemoram, em gestos ou saudade, o que lhes foi oferecido unanimemente. São essas pessoas que fazem jus a este dia, todos os dias.

Resumidamente – e peço desde já sinceras desculpas pela ousadia em interromper o seu sono eterno –, queria felicitá-lo por ter lutado pela união, por ter acreditado no amor – porque ele existe – e dizer-lhe que o seu dia deveria ser comemorado todos os dias, em palavras, em pequenos gestos, em honra dos que acreditam, como o Senhor Bispo, que isto do amor quebra fronteiras.
Votos de um amor próspero.