Carta para o meu ex amor…

Estou a escrever isto passado quase 10 meses, mais precisamente, 276 dias, porque já não dói falar de ti. Engraçado, pensei que este sentimento nunca me abandonasse. Todas as noites eu jurava que era a última vez que iria ver as tuas fotos, ouvir as nossas músicas ou ver as nossas fotos..e adivinha, na manhã seguinte fazia tudo igual.

Sim, eu demorei a perceber que tudo tem um prazo de validade. Era difícil aceitar que tudo tinha acabado mas aceitei. Eu sabia que éramos certos um para o outro mas errados para ficar juntos. Não nos merecíamos, não combinávamos. Mas sei lá, não parecia certo ficarmos separados. Do mesmo jeito que parecia completamente errado não ficarmos juntos.

Tinha tudo para dar certo mas não deu, fomos orgulhosos. Naquela época, até um simples “olá” era bem vindo. Mas o teu silêncio fez-me perceber que estava na hora de ir embora, desta vez era de verdade. Estava cansada de dar o máximo e não receber nem metade em troca. Percebi que estava errado aceitar menos do que merecia.

Não foi fácil, demorei a conseguir confiar nas pessoas de novo. Doeu ouvir o teu nome por aí, doeu ver as nossas fotos e vídeos juntos. Doeu perceber que és o meu ex amor..mas não dói mais. Estou a escrever isto para te contar que vou seguir ciências da comunicação, o meu sonho..lembraste? Para dizer que vou sair daqui mas agora sem ti. Para dizer que eu amava abraços inesperados e os teus elogios atrapalhados. Mas tu nunca reparaste. Estou a escrever para dizer que a minha vida não parou quando decidimos seguir caminhos diferentes. Estou a escrever para te agradecer.

É isso mesmo, quero te agradecer por teres destruído cada pedaço de mim, não, não leste mal, eu quero mesmo te agradecer por teres destruído cada pedaço de mim, porque foi sofrendo que aprendi a ser forte, foi chorando que aprendi a sorrir, foi a cair que aprendi a levantar-me e foi a errar que aprendi a acertar. E foi por te amar tanto que aprendi a viver sem ti. Ao olhar para trás vejo o quanto era idiota por acreditar nas tuas palavras e vejo que hoje não sou a mesma.

Sou mais forte, tornei-me mais fria e ao mesmo tempo mais sensível, o meu lado mais sonhador continua aqui, mas agora tenho também o meu lado mais realista. E é esse meu lado realista que te vem aqui agradecer por teres tornado aquela menina inocente que tu conheceste, que perdoava todos os teus erros, numa mulher que se sabe valorizar e que sabe o que quer. Estou a escrever para te dizer que aquela teoria de que o tempo cura tudo é verdade. Para te contar que já não me fazes falta.

É verdade que não vou conseguir apagar as nossas lembranças, tu também não. E espero que essas lembranças te atormentem por muito tempo como fizeram comigo. Estou a escrever para dizer que um dia eu quis que te arrependesses e agradecer por não o teres feito. Estou a escrever para dizer que te esqueci.

Um dia ainda nos vamos encontrar. Talvez num parque qualquer, numa festa de um amigo em comum ou quem sabe de lados opostos da rua, à espera que o semáforo nos dê liberdade de atravessarmos. Estaremos casados, não um com o outro, com outra pessoa que chamaremos “amor da minha vida”. Um de nós com um emprego de sonho, a viver a vida que sempre sonhou e o outro com um emprego para desenrascar ou nem isso. Se calhar um de nós até já tenha filhos mas nenhum com aquela característica favorita que escolhemos um do outro. Vai ser um grande choque e sentiremos o batimento cardíaco acelerado.

Um pequeno filme com os nossos momentos passará pelas nossas cabeças e nos fará relembrar como foram bons aqueles tempos. Com sorte, nos cumprimentaremos um ao outro rapidamente, ou simplesmente trocaremos olhares envergonhados.

Eu continuarei com o meu longo cabelo castanho e usarei o mesmo tom de verniz e tu o mesmo cabelo despenteado e a mesma barba por fazer. E depois? Continuaremos andando. Quem sabe um de nós olhará para trás para ter a certeza que não era um sonho. Mas apesar disso, nada mudará. Nós não passará de nós.


PELA WEB

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