Carta de despedida à vida que não quero!

Olá amor

Sei que o que te vou dizer não te agrada, que te batalhas contra isto e que esperas pelo dia em que eu desista desta ideia que te assombra. Mas chegou a hora. Chegou o dia em que ganhei coragem para viver a vida que quero, como quero. Chegou o dia em que o que eu quero interessa, que farei o que quero por eu querer, não farei o que os outros querem porque eles o querem. Já não vivo pela vontade dos outros. Aliás, é pela vontade dos outros que eu vivo. Chega.

Chega o medo de encarar o dia de amanhã, chega os ataques de pânico por tudo e por nada, chega as dores imaginárias que servem como desculpa para poder ficar na cama e esconder-me do mundo em que queres que eu viva – porque queres que eu viva – e chega de pensar mais nos outros do que penso em mim. Chega de sentir um aperto constante sem explicação e chega de fingir que está sempre tudo bem e que sou alguém capaz de suportar tudo o que há de mal com todos. Não sou capaz. E ganhei coragem para o dizer. Eu não sou capaz de continuar a fazer de conta que tudo está bem, que anseio pelo dia de amanhã, que vou melhorar, que vai chegar o dia em que tudo vai, magicamente, ficar bem. Fartei-me de fazer de conta. E tu sabes, tu sabes que já desisti de mim. E eu quero que lutes por mim, desistindo comigo.

Quero despedir-me da vida que nunca quis, da vida que não quero. E quero que o faças comigo. Quero poder querer o que eu quero. Quero que em vez de perderes horas no escuro a chorar em silêncio e a tentares convencer-me que quero algo que na verdade quem quer és tu, que me dês a mão e me deixes desistir. Quero que sejas aquele que sem desistir, desiste.

Quero que um dia, quando encontrares quem te conforte, que contes a minha história e que a contes com palavra bonitas. Não quero que digas o inferno que eu achava que era esta vida que não escolhi para mim. Não quero que contes o que me angustiava. Quero que contes uma história que ensine. Quero que contes que fui corajosa mesmo achando tu que não, quero que digas que fui aquela que te ensinou que cada um pode fazer aquilo que realmente quer. Diz apenas que me despedi da vida que não queria. Não me descrevas como fraca, como aquela que pôs termo à vida, como aquela que não lutou. Eu lutei, lutei muito por isto, por este momento, por esta liberdade.

Por isso, amor, um dia mais tarde, quando encontrares quem te conforte, conta que fui aquela que escolheu o caminho que queria. Aquela que se despediu da vida que não queria.

PORMia Liz
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