Carta de uma atleta ao mestre!

Comecei esta carta mais do que cinco vezes, até perceber de que ela nunca será lida pelo seu destinatário. Uma carta de uma miúda tímida, irreverente e assustada, que é mais vezes incompreendida do que aceite.

Mestre, saiba que não sinto menos do que uma gratidão imensa e um grande carinho por si, apesar de poder, muitas vezes não o demonstrar. Sabe, quando alguém é tímido, envergonhado, amedrontado diz muito menos do que quereria, com medo. Nós, as pessoas tímidas do planeta, temos receio de ficar sozinhas, de ser rejeitadas pelas nossas palavras, e por isso, sou muitas vezes indelicada ou mesmo pouco expressiva com as minhas palavras.

Mestre, acredite faz parte integrante da minha família. Tornou-se num pai para toda aquela enorme coleção de irmãos e irmãs que ganhei nos treinos, e também para mim. Aturou os meus momentos menos bons e as minhas situações de vergonha em que pouco ou nada sou capaz de dizer, esteve do meu lado quando eu não estava bem, e acreditou em mim quando eu própria deixara de acreditar.

Entenda que não sou capaz de me expressar apenas pelo receio, mas espero que, nesta carta, possa transmitir o meu carinho e agradecimento por todas as suas palavras, e mesmo pelas suas atitudes. Sei que não sou a melhor das atletas, e de certeza que já o desiludi muito por ser incapaz de melhorar ou de aprender mais depressa, e sei perfeitamente que a equipa seria mais forte sem mim.

Mas espero que toda a sua fé que colocou em mim não tenha sido em vão. Porque trabalho todos os dias para me tornar numa melhor atleta e pessoa, e grande parte disso, foi graças a si.

Quero ainda que saiba que é uma das primeiras pessoas em quem penso quando não estou bem, quando tenho problemas e não sei como os resolver, ou quando sinto o mundo inteiro a abater-se sobre os meus ombros e não sou capaz de respirar. Mas não quero ser um peso, ou uma menina chata, e então, evito ligar, mandar mensagem, entrar em contacto. Muitas vezes peguei no telefone porque precisava mesmo de um abraço ou de conselhos sobre o que fazer, mas sentia vergonha para realmente chegar a telefonar.

Talvez esteja mesmo melhor numa equipa sem nenhuma miúda chata ou envergonhada que não é capaz de dizer o que pensa.

Da sua filhota.


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