Carta ao meu Ex-Eu!

Querido “Ex”,

Quero que nunca te esqueças que 70% dos gritos correspondem a silêncios, as dores da alma sempre serão maiores que as dores do corpo. Consegues ouvir o meu silêncio?

Sobre o tempo? Eles todos dizem que o tempo é suposto sarar mas de que vale cobrir um buraco no chão com um adesivo? Consegues arranjar o que está partido? Consegues salvar a minha alma cobarde?

Mentiras vão comprar a eternidade e eu vim para destruir. Sei apenas o que os Homens sabem mas, ainda assim, muitos não encontrarão a resposta. Nunca mais me faças perguntas e nunca mais obterás mentiras.

Neste período, pude conviver com corpos cujas almas estão tão vazias como o meu olhar; cujas mentes e dores eram tão profundas como um corte; cujo amor era tão raso.

Agradeço-te por me teres feito passar pelos insultos de vários indivíduos dos quais aqueles que nos deveriam amar incondicionalmente, agradeço-te pelas falsas demonstrações de amor e preocupação.

Agradeço pela troca de presentes fria e obrigada. Presentes vagos e infelizes que nem foram bem entregados.

Obrigada pelos alimentos que eles pensavam que iria compensar e encher o vácuo dos nossos corpos. Obrigada pela privacidade que me disponibilizas-te para eu chorar sozinha e a impossibilidade que me ofereceste para me libertar e exprimir com a única pessoa que me fazia sorrir.

Não sabes o tamanho, nem o peso do meu vazio mas quero que saibas que quero que me faças de poesia.

PORBeatriz Velez
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