Carta ao meu ex-melhor amigo!

Querido ex-melhor amigo,

Como esta situação toda é irónica.

Depois de promessas e juras fomos capazes de acabar deste jeito.

Somos simples desconhecidos que passam um pelo o outro e que nada permanece, apenas o vazio depois de anos e anos juntos. Fingimos que nem o nome um do outro sabemos e que todas as histórias que passámos juntos foram apagadas, como se tudo estivesse escrito numa folha de papel e não no coração.

Fizeste-me sorrir nos momentos mais difíceis e mais duros da minha vida, e no final, apagaste todas as memórias.

Hoje em dia é mesmo difícil acreditar em alguém, é mesmo difícil confiar mas quando isso acontece, não largamos essa pessoa nem por nada nem por ninguém. Aconteça o que acontecer, a verdade é esta. E quando nós, seres humanos nos adaptamos a alguém, ao seu cheiro, ao seu abraço, ao seu sorriso… Dificilmente esquecemos.

Tudo em nós muda, muda a partir do momento em que perdemos as pessoas de quem gostamos, de quem amamos. Ficamos mais frios, mais rigorosos e esperamos o menos possível das pessoas ao nosso redor, então basta alguém nos dar uma “mão” para nós acreditarmos que talvez, seja tudo diferente. Pobres ingénuos. Pobres sentimentos. Pobres ilusões.

Eu busquei em ti tudo o que nunca busquei em ninguém – a minha paz interior. Esta, que tu me tiraste bruscamente. Mas eu sei, o erro foi de ambos. Eu magoei-te tanto como tu a mim. Ambos acreditamos um no outro e esperamos que fôssemos ficar juntos para o resto da vida – que fôssemos ao casamento um do outro, que víssemos os filhos de ambos crescer e que víssemos as primeiras rugas um do outro, mas, isso não aconteceu.

Eu sei que tudo o que fizeste por mim, foi a pensar no melhor não para ti, mas para mim mesma e eu agradeço-te por esse esforço, pelos sapos que engoliste e pelo amor que sentiste por mim, embora o negasses e o escondesses, mas, mulher que é mulher, percebe destas coisas do amor. Talvez, por tudo o que fizeste por mim, nunca esperei a nossa história acabar assim.

Fomos amigos, melhores amigos e irmãos, e hoje somos apenas dois desconhecidos que optam por se esconderem. Por fingir que foi tudo um sonho e que simplesmente não houveram sentimentos.

Fomos burros, burros por não aproveitar aquilo que criamos e por simplesmente rasgar esta página, a página que nos unia.

Desculpa de todas as vezes que não fui a melhor amiga, a melhor irmã.

Mas, acima de tudo, quero agradecer-te por todos os momentos fantásticos que passámos juntos, por todas aquelas tardes em que desabafamos um com o outro, em que foste inconstante, em que me deste mundos e fundos.

Hoje, restam-me memórias do que um dia, apagamos.

Mas garanto-te que tenho pena que tudo tenha acabado desta maneira, porque ainda hoje, sinto a tua falta.


PELA WEB

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