Carta ao Bad Boy!!!

E ao fim deste tempo todo, longe das suspeitas de todos, eu já te sabia levar. O problema não foi a tua personalidade em si, foi a atitude.

Eu sei que é fascinante e o sonho de qualquer menina ter um “namorado” que cause furor por onde quer que passe. Aquele que passa a semana toda a dar o litro no ginásio, que manda a pinta de actor americano, que mantém o bronze alaranjado o ano inteiro e que faz juras de amor infindáveis ao 6º copo balão de gin. Sim, eu sei que é desses por quem elas nutrem uma atração fatal. É complicado, eu sei. Afinal, o que é bom faz mal, e, o vício assassina-nos aos poucos.

A questão é que ao contrário da maior parte dessas raparigas, que ambiciona que um Johnny Depp lhes surja para alegrar o verão, eu sempre te disse com o que podias contar.

Eu não necessito de ouvir nem de inventar histórias intermináveis de amores e cabanas, não confundo as coisas.

Um enorme aplauso para aqueles que não necessitam de usar o Jaguar dos papás nem as zonas VIP para engatarem as que lhes adoçam as vistas, para aqueles que demonstram ter conteúdo.

A vida não se resume só a aparato, a saídas, a diversão, a affairs de primeira classe. Depois de toda essa fase de “papel de embrulho”, toda a gente tem curiosidade em desvendar o mistério do brinde. E é precisamente nesse momento que concluímos o valor da pessoa. Será que era só fogo-de-artifício? Será que era apenas um corpo bem trabalhado para exposição? De que é que adianta uma moradia com uma ousada piscina se não possui residentes para lhe dar vida? Torna-se vazia, oca por dentro.

Uma pessoa às direitas, que se preze do seu bom senso, sabe bem o que vale e não precisa de provar nada a ninguém, muito menos de assumir uma determinada postura perante outra. É por isso que tudo funcionava bem entre nós, tu respeitavas o meu espaço e eu o teu, ponto.

Tu não te prendes nas palavras bonitas nem te iludes com jogos de sedução. Não confundes as coisas.

Não dás a mão mas acompanhas, negas dar um abraço mas confortas. Gostas de adrenalina mas não te entregas facilmente a todos os desafios. Não és de grandes conversas mas quando falas marcas pontos. Sabes o que queres, não procuras agradar ninguém mas fazes sempre com que alguém procure agradar-te a ti.

És peculiar. Não permites que te desvendem, em vez disso preferes que te levem a sério. Pouco sorris mas quando o fazes é para o mundo inteiro ver. Não necessitas de ser o único em palco mas sem te aperceberes diriges o show sozinho.

Já reparaste na ironia? Tantos “nãos” antecedentes de qualidades que te descrevem.

Eu sempre te dei liberdade para fazeres o que quiseres. Não tenho medo de números, uma vez que, sei que para ti são só corpos sem alma. Não estremeço ao ouvir o nome dos motéis que frequentas com elas nem receio das experiências que elas te possam proporcionar. Não me preocupo com a tua ida porque sei que a tua volta é garantida.

Tu vais procurar sempre cada detalhe meu em cada uma delas. A minha rebeldia na Joana, o meu toque na Fabiana, a minha loucura na Patrícia, a minha arrogância na Diana, a minha confiança na Cristiana e até vais chegar ao ponto de abraçar a Tatiana na ânsia de ela te confortar dos arranhões que te faço nas noites mais agitadas.

Lembro-me perfeitamente da última que tivemos, pediste-me para ficar contigo até acordares. Foi autêntico e sentido. Apaixonaste-te, é legítimo, mas quebraste o acordo.

PORCatarina Cheta
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