Carta de alguém que perdeu a sua mãe.

Sei que foram inúmeras as vezes em que te falhei, que respondi torto, que fui ignorante ao ponto de achar que só pensavas em ti quando na realidade estavas a olhar por mim, como sempre fizeste. Gostava de ignorar o facto de que hoje te estou a ver partir e não tenho a que me agarrar. Se apenas te tivesse dado ouvidos…

Mas não dei, teimosa como sou de mais não se poderia esperar. Agora, para bem dos meus males, estou aqui sozinha a chorar a tua ‘quase’ partida, a tentar reconfortar a dor como sempre fiz, fugindo dela, evitando-a.

Sei honestamente que não faltará muito para o derradeiro adeus e tenho tanto para te dizer, tanto para me desculpar, tanto para aprender. Como foste capaz de me deixar assim?

Como foste capaz de me fazer acreditar que era a melhor no que fazia? Deixaste a pior decisão do mundo nas minhas mãos, e por muito que queira fazer-te a vontade, como és capaz de querer que eu te deixe ir? A ti? Meu único apoio.

Sabias que mais cedo ou mais tarde eu me iria aperceber e ainda assim deixaste que fosse eu a escolher, eras tu, ou o trabalho? Como foste capaz de me deixar escolher o trabalho?

Querias que fosse grande, importante, mas no fundo, tudo o que eu mais queria era deixar-te orgulhosa.

Dentro de dias estarás no céu a gabares-te de mim, como sempre fizeste:’Esta é a minha menina!’. E o mais engraçado é que até quando estava errada, eras capaz de me gabar.

Ainda não partiste, e a saudade já é tanta.

Diz-me não há forma nenhuma para te trazer de volta para mim? Para casa? Para junto de quem te ama e agora chora por ti?

PORRachel Stefan
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