Caligrafia da alma…

E no meio daquele jardim encontrou-se com ela e ela com ele. Entre a brisa do ar que pairava pelos sentidos inalavam um mesmo aroma. Gostoso. Nem amargo nem azedo. Um aroma diferente. Especial. Adocicado e meloso.

Entre um sorriso fugidio e um olhar que os denunciava, tocava ao de leve uma melodia sobre as almas que vestiam o corpo de cada um. Reconheciam o olhar mas por cá era a primeira vez que se viam.
Nele viu o espelho dela mesma e nela ele também se viu. Mas o curioso é que se viram sem se querer olharem para a roupa de cada um. Os olhos do coração estavam treinados para fazer a seleção perfeita aos sentidos. E há pormenores que não passam disso mesmo. Pormenores. Quando a essência rima há pormenores que ficam em segundo plano na história que se constrói.

Como que enviados para a morada daquele jardim ao mesmo tempo. Um jardim situado na Rua Direita do Destino. Naquela rua onde nascem histórias que resistem ao tempo e às circunstâncias. Naquela rua onde dois corações passam a ser um só. Os mais velhotes que se fazem passear de mãos dadas e sorrisos rasgados dizem que o que nasce naquele jardim, jamais cessa ou esmorece. Os mais velhotes que por lá passeiam o coração de abraço apertado dizem que ali conheceram a pessoa que lhes faltava. Os mais velhotes que por lá contam a sua história de amor trazem tanto em comum. Aos domingos passeiam-se com os filhos e os netos também pelo meio daquelas árvores resistentes e em sintonia dizem que foi ali, naquele tronco forte, que gravaram num dia bonito o nome dos dois.

Nenhum dos que foi conduzido até lá no mesmo dia e na mesma hora se escreveu primeiro nem foi preciso fecharam um envelope. Nem tão pouco colaram com saliva um selo. Talvez essas mesmas cartas tenham sido desenhadas pela caligrafia da alma de cada um. E talvez, a alma de cada um soubesse tão bem ao encontro de quem um dia iria. E como eram ambas tão transparentes, foram os dois naquele dia até aquele jardim como que guiados pelo saudosismo do coração. E ali, num mesmo espaço de tempo pela mão quiçá de uma força maior, estava ele, ela e a fragância colorida daquela panóplia de flores. E porque nenhum dos dois queria menos do que aquilo, esperaram por aquele “jardim”. O jardim que tinha a flor preferida mas que ainda não haviam encontrado até aquele dia.


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