Quando uma boa pessoa entristece…


Um dia acordei e era só eu. Eu e a cama, eu e o quarto, eu e o meu pequeno apartamento, eu e o relógio, que me avisava constantemente do quão atrasada estava, para variar.

Um dia vais acordar e dar por ti sozinha, num mundo onde ninguém te merece sem teres a quem te agarrares ou onde te agarrares. Ficas a questionar-te vezes e vezes sem conta sobre o porquê de ninguém te querer, sobre o porquê de tudo ter o seu fim. Vais deitar lágrimas de desespero e já não és mais quem eras. Vais dar contigo a entrar em pânico, à espera que um milagre aconteça.

Sentes-te desprezada, ignorada, posta de parte e ninguém te ouve. Tudo ao teu redor está preto e ninguém te entende. Bem dentro de ti sabes que Deus tem tudo sobre controlo, mas tu não. É mais uma batalha que terás de travar sozinha.

Não sabes como, quando ou porque perdeste o controlo da tua própria vida. Aconteceu, de um momento para o outro já não sabias quem eras, onde estavas, o que fazias, quem amavas, o que querias.

A ansiedade levou a sua avante e tu ficaste para trás. Estás instável, deprimida, vulnerável. As tuas fraquezas estão a vir à superfície enquanto tu te vais afogando.

Eras capaz de te desvalorizares só para que alguém se pudesse sentir melhor, diminuías a dimensão dos teus problemas para que ninguém se sentisse infeliz, encolhias-te para caber em mundos onde não havia espaço para a tua enormidade.

Uma boa pessoa não espera ser recompensada pelas boas atitudes que toma, não deixes que a ansiedade te leve a pensar o contrário.

Não tinhas medo de perder, nunca precisaste de ninguém a teu lado, nunca chegaste a saber como realmente é depender de alguém, até agora.