Bagagem…

Como num filme de cinema, uma narrativa e duas personagens, que se desdobram em quatro ou cinco e com outras narrativas paralelas e acontecimentos cíclicos. Que filme!

Tudo bem, se não fosse o meu coração o realizador deste filme, e a maldade dos outros a produtor.

A verdade é que o ser humano erra, erra para aprender. E aprender, até aprende. Sermos um ser racional é algo fantástico! Mau é quando carregamos (ainda) connosco uma certa bagagem. Aquela bagagem que em todas as viagens perdemos no aeroporto, ficamos assustados, tristes, mas logo depois que a encontramos ficamos todos contentes.

Uns tempos mais tarde até fazemos viagens com outra bagagem, já nem nos lembramos dessa que ficou ali, no seu canto, onde só de vez em quando vem o seu cheiro a mofo.

A vida acontece e vai acontecendo. Alegrias, tristezas, frustrações, amores e desamores, chapadas na cara e chapadas no coração. Bagagem e bagagem, vamos ganhando bagagem… Mas chega o dia em que a pausa é necessária e a alma sente a necessidade de querer esvaziar toda essa bagagem de emoções, para assim a poder encher livremente de outras. Para isso, a alma precisa de chorar. É essa a forma, aliviar. Mas para tal é como se necessitasse de fazer um ‘check out’. Os olhos, senhores dessa função, estão na sua pausa do trabalho portanto ali ficas tu, tu e a tua alma, ali, em stand-by. Demasiado tempo. Não choras, não alivias, acumulas… e acumulas… até ao dia em que, devido aos teus olhos não terem deixado a alma chorar, o teu corpo explode de emoções e tu sentes o que nunca sentis-te, a falta de poder, de controlo de ti. Nesse momento tu não és tu, mas o que fizeram de ti. É assim. Até que tudo acalma, tudo de volta sorri e tu sorris com o sorriso que a vida te dá. Aprende que lixo é para deitar fora na hora. Além de cheirar mal, ocupa espaço na tua bela bagagem da vida.