Até sempre

Tudo estava calmo, ouvia lá ao longe o som dos pássaros numa tarde de primavera. Uma brisa suave tocou-me no rosto. Abri os olhos.

Tinha adormecido por instantes e revivi o que há muito estava guardado. Alguém especial que nunca esqueci. Alguém que ficou bem guardado no meu pensamento e que agora revivi. Lembranças de um passado que está tão presente em mim.

Suspiro…

Sinto um aperto no peito, será saudade? Talvez. Esta que se atenuou com o tempo, mas nunca deixou de existir. Tenho de acordar e voltar à realidade, mas não consigo, ou talvez não queira. A tua imagem prende-me a este pensamento e se acordar poderei perdê-lo.

Não posso acordar! Depois de tanto tempo aquela caixinha de memórias estava aberta.

De repente os meus lábios curvam-se e surge um sorriso, mas eu sei bem que não era um sorriso qualquer. Só uma pessoa me fazia sorrir daquela maneira, um sorriso adolescente e apaixonado. Sinto-te tão perto. Sinto a tua mão na minha, tocas-me com subtileza.

Iludo-me ao sentir a tua presença, eu sei que não estás ali. És apenas uma imagem na minha mente que vagueia ao meu redor e me toca, me beija, me envolve num desejo profundo.

Não é real, não, não é.

Eu sei que a qualquer momento a tua imagem pode se desfazer no vento. Mas enquanto estás aqui deixa-me contemplar-te, ver o que há muito não era visto, sentir o que há muito não era sentido. Nesta vida cansada onde as marcas da vida predominam o pensamento que me domina mantém-me viva. Sei que a qualquer momento vou abrir os olhos e tu irás desaparecer.

Por isso, despeço-me. Adeus!

Acordo, tinha de acordar. Estava presa à realidade do passado.

O que será feito de ti? Deves estar a perguntar o mesmo, não? Bem… Eu estou sentada numa velha cadeira de baloiço vendo os infinitos dias da velhice passarem. No meu pensamento continuavas lindo e jovem, sempre sorridente. Mas o tempo passou, seguimos o nosso caminho. Eu aqui e tu…? E tu não sei onde estarás.

Respiro fundo, olho à minha volta e suspiro… Continuo na mesma posição, imóvel e sem manifestar a minha tristeza. Enquanto esta pequena gota se vai desfazendo na minha face, tudo à minha volta desaparece.