Até que ponto somos livres?

Todos falamos da liberdade, uns mais, outros menos. Da liberdade de expressão, de sermos livres para irmos onde quisermos, de sermos independentes. A liberdade é muitas vezes entendida como independência, nos dias de hoje. Para nós, jovens, a liberdade é um conceito completamente diferente do que para os nossos pais ou avós. Comparando os nossos dias com os de há cinquenta anos a trás, podemos falar à vontade sobre o que quisermos, seja na rua, no café ou em casa.  Não temos medo de dizer o que pensamos.

A questão é: será que somos mais livres do que há cinquenta anos a trás? Falamos de tudo, quer seja a nível nacional ou internacional. Mas seremos assim tão livres?

Cada vez mais vivemos agarrados às redes sociais. Vivemos um mundo constantemente em comunicação, não nos desligamos. Se o fizermos, perdemos aquilo de que todos falam. Não será que vivemos prisioneiros das redes sociais? Não vivemos a ser constantemente bombardeados com informação da qual não necessitamos? Por exemplo, precisas mesmo daquele telemóvel sobre o qual ouviste imenso falar e como tal andas a namorá-lo há não sei quantos dias/semanas? Quero dizer, faz-te mesmo mesmo falta? Provavelmente não.

As notícias são-nos impingidas feitas à velocidade da luz, tau-tau-tau-tau-tau, umas a trás das outras, nem há tempo para processar aquilo que nos é dito. Já vem tudo pensado e “mastigado”, para que não pensemos. «Fulano matou Beltrano no sítio tal, por causa disto, daquilo e do outro», está tudo dito. Se um comentador muito conceituado diz com toda a certeza que sushi faz melhor à saúde do que peixe cozido (faz de conta), não será que vai tudo experimentar, provar pelo menos, porque o senhor disse que fazia melhor à saúde? Se pensarem nisso, é verdade. Tudo nos é transmitido no sentido de «é assim, é assim, é assim». E nós sorrimos e acenamos.

Então, até que ponto somos livres? Se vivemos “amarrados” atrás de um ecrã, se seguimos tendências, por vezes cegamente. Se o nosso pensamento é influenciado sem que dêmos por isso. Somos livre de decidir se vamos pela esquerda ou pela direita, se vamos para norte ou para sul. Somos livres de pensarmos o que quisermos. Só não pensamos sobre o que queremos, e sim sobre o que nos dizem para pensar.