Às vezes perdemos, mesmo quando não desistimos.

Do nada, aquele aperto no peito e torna-se impossível respirar. Dás por ti a tremer, a pensar em tudo sem pensar em nada. A tua mente não consegue descansar, vagueia pelos 5 cantos do mundo enquanto dormes. Acordas assustada, cansada, desgastada e com as lágrimas no canto do olho, tentas voltar a adormecer. O despertador toca, vais abrindo os olhos pouco a pouco, estendes a mão à procura do telemóvel, e ele cala-se. Puxas as mantas novamente para cima de ti, e voltas a dormir.

Ficaste parada no tempo enquanto os teus amigos faziam amigos novos, enquanto o teu patrão procurava alguém para te substituir, enquanto a tua família tentava lutar por ti. Viste o mundo a tentar ocupar o teu lugar, a tentar preencher aquele espaço em vazio onde outrora estava uma pessoa ativa.

Vais-te preparando para o pior, uns dias atrasada, outros nem te dás ao trabalho de aparecer, parece que ninguém te compreende. Sentes-te sozinha, estás a cada dia que passa, mais isolada do mundo.

Viste a vida a escorregar por entre os teus dedos num único piscar d’olhos.
Perdeste aos poucos todo o interesse e motivação. Não tens noção da realidade, infelizmente a tua vida ficou tão ofuscada que não entendes o que se passa. Queres desistir, mais do que nunca. Estás farta dessas vozes no plano de fundo, desses teus demónios.

Estás cansada, desististe da vida. Desististe de ti.

Agora estás em Inglaterra, daqui a pouco em França, e logo tu que odeias França. Quem sabe amanhã onde estarás, e só Deus sabe como.

E todas aquelas conversas, todos aqueles conselhos de quem falava apenas só por falar, toda a medicação que tiveste de tomar, todos os testes que fizeste, ninguém conseguia entender.

Foi uma batalha que tiveste de travar sozinha e às vezes perdemos, mesmo quando não desistimos.

PORRachel Stefan
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