As vezes o fim é sinónimo de início…

O fim é inevitável quando a rutura é sinónimo de liberdade. Pior do que permitir que pessoas erradas façam parte de nós é não ter a coragem de lhe dizer adeus.

Não existe qualquer tipo de filtro. Conhecer-te era inevitável, viveres em mim foi uma opção minha e jamais transitarei a culpa para ti. Aliás, ninguém o deveria fazer, as pessoas só nos iludem se nos iludirmos com elas.

É preciso manter sempre os dois pés na terra e perceber de uma vez por todas que o coração não sente nada. Parar de vermos os outros à imagem daquilo que queremos deles ou tentar moldá-los aquilo que idealizamos para eles.

A razão também ama, e foi quando aprendi que esta era mais forte que qualquer tipo de emoção que te ofereci a nossa última viagem.

O comboio partiu as 06:18, a estação estava praticamente vazia e o frio estalava-me os ossos. Desta vez nem o sol veio para te ver partir.

Foi doloroso e tranquilizador ao mesmo tempo. Levavas contigo os meus segredos, os meus medos, as minhas dúvidas, o meu amor, levavas uma vida contigo que durante meses também foi minha. Tive em mim a certeza que contigo também levarias todo o sofrimento deste amor desleal e só assim poderia seguir em frente, só assim poderia voltar a reconstruir-me, voltar a ser eu.
Foi o último comboio que vi partir, foi a última vez que chorei o teu luto. Nunca uma despedida foi tão ansiada, nunca um adeus foi tão aliviante…
Espero que estejas bem, e não te preocupes comigo, eu já apanhei o metro.

 

PORInês Castro
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