As tatuagens que eu tenho

O que reveste o meu corpo, não determina quem eu sou. Nem as minhas roupas.  Pergunto-me como as pessoas não se fartam de fazer sempre a mesma pergunta “Não estás farta?” Não, não estou e a minha resposta não vai mudar independentemente da quantidade de vezes que decidas fazer a mesma pergunta.  Ou então “Não te vais fartar um dia?” Tenho aspecto de bruxa para adivinhar o futuro?! Não. Contudo, posso garantir 100% que não, pois acho que o meu conhecimento quanto à minha pessoa conta muito.

Felizmente toda a atmosfera de opiniões sobre tatuagens está a mudar, mas ainda existem pessoas que adoram simplesmente implicar, porque lhes dá prazer. Não incluo todas as pessoas que me fazem esta pergunta no mesmo saco, porque consigo diferenciar as implicativas, das que estão verdadeiramente curiosas sem maldade, ou complexo de superioridade. E este é um ponto digno de ser analisado. Já alguma vez repararam naquelas pessoas que vos perguntam sobre os desenhos na vossa pele, com uma expressão de superioridade?  Como se se sentissem gloriosos porque resistiram a fazer uma. Ridículo. Essas são as que secretamente gostavam de ter uma, mas por qualquer motivo não fazem. Ou porque os pais não deixam, ou porque já disseram que não fariam e não querem parecer fracos e voltar atrás, ou invejam simplesmente quem tem, somente porque são ridículos.

Quem realmente não gosta de tatuagens nem comenta! Algumas pessoas até nem reparam que as tens. Cada vez mais se vêm médicos (por exemplo) com tatuagens. No entanto, no horário de trabalho estão normalmente cobertas. Mas, na minha opinião (que vale o que vale),  podiam estar descobertas, não iriam ser menos profissionais por isso. Há tantos humanos por aí com licenciaturas e sem tatuagens a agir de forma bem menos ética.

Apesar de já ter sido pior, a sociedade continua a precisar de um abanão para ver se as ideias se organizam. Por outro lado são imensas as pessoas com 60 e 70 anos que nunca exteriorizaram a sua vontade de ter uma tattoo, mas ela existe. Os tempos eram outros e agora cada vez mais se vê pessoas mais velhas a embelezar o corpo. E eu acho isso brutal!  Hoje em dia também é uma boa maneira de tornar certas áreas do corpo mais apelativas ao olhar de quem pertence. Pessoas que passaram por cirurgias, nomeadamente em casos de doença como o cancro da mama, desejam tapar a cicatriz recorrendo ao desenho, como forma de melhorar um pouco a auto estima e homenagear a sua vitória. Muito lindo.

Eu acho que cada um deve ser exactamente como é, e ser feliz.