Aquilo que dizias ser e já não és…

Não passaram de meras palavras jogadas no ar. Porque foi apenas isso que fizeste e bem feito, digo-te já. Foram dias e noites a sonhar ao ritmo da poesia barata que me contavas. Talvez a culpada tenha sido eu, que cega de amores, rendia-me a teus pés como se fosses o único homem à face da terra.

Porém, o tempo foi passando e a verdade veio ao de cima. E não poderia ter sido uma verdade mais lancinante… Surgiram as desculpas e os desencontros. E aí sim, não foi preciso mais nada para ter a plena consciência de que tudo não tinha passado de um engano. Posso ter passado os melhores dias da minha vida a teu lado, mas tenho a certeza, de que até hoje, nunca ninguém me fez chorar tanto como tu.

E agora? É suposto agir como se não tivesse acontecido nada?

Planeamos juntos futuros longínquos, mas a partir deste momento limito-me  a viver, ainda que sozinha, um dia de cada vez. Sem pressas nem expetativas, apenas com o coração partido e revestido de gelo.

Fizeste-me acreditar que era eu que precisava de mudar. Mas afinal, mudar para quê se nunca me deste valor? Dei-te tudo e nada foi o que me deste, exceto a desilusão que se abate sobre mim sempre que me recordo do que éramos e naquilo que nos tornamos.

Lamento que o amor que sentia por ti se tenha evaporado. Levaste-o contigo quando decidiste desaparecer da minha vida sem dó nem piedade. Ainda não me és indiferente, confesso. Mas dizem que o tempo cura tudo e quero acreditar que isso seja mesmo verdade.

Juro que tentei pôr-me no teu lugar, fiz os devidos exames de consciência e não encontro uma justificação plausível para esta mudança tão radical. Os estragos que fizeste em mim equiparam-se às consequências de uma daquelas catástrofes tenebrosas que vem do nada e arrasam com tudo.

E o problema na nossa relação foi esse “tudo” que se resumiu  a um “nada”.  Deixaste-me vazia, apenas com a ideia daquilo que dizias ser para mim, mas que, infeliz ou felizmente, já não és.

PORMara Pires
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